Face Oculta: CDS-PP defende “moção de bom senso” para que primeiro-ministro comece a governar

18.02.2010 - 21:31 Por Lusa
O CDS-PP pediu hoje uma “moção de bom senso” para o Governo, apelando a que o primeiro ministro deixe as “crises artificiais” e comece a governar.
“O senhor primeiro-ministro faz uma declaração ao país em horário nobre e, curiosamente, não fala em nenhuma das questões essenciais que afectam em muito os portugueses”, afirmou o porta-voz e vice-presidente da bancada do CDS-PP, Nuno Magalhães.
Numa declaração aos jornalistas na residência oficial em São Bento, o primeiro-ministro afirmou hoje nada temer quanto ao conteúdo das escutas do processo Face Oculta, numa declaração em que acusou os que perderam as eleições legislativas de tirarem partido das “criminosas” violações do segredo de justiça.
O primeiro-ministro afirmou ainda que a “sucessão de insultos, rumores e mentiras” sobre o seu alegado envolvimento num plano para controlar a comunicação social não o farão desviar da sua responsabilidade como líder do Governo.
“O sr. primeiro-ministro nada disse sobre os quase 600 mil desempregados que o país tem, os mil desempregados diários que teve no ultimo trimestre, as falências que duplicaram no último ano e os problemas gravíssimos de segurança, saúde, educação ou agricultura que afetam o país”, disse.
Salientando que, no caso Face Oculta, o CDS sempre defendeu a separação de matérias judiciais das questões políticas, Nuno Magalhães sublinhou que, em relação ao negócio PT e TVI, “o primeiro ministro já teve três versões diferentes”.
O deputado do CDS lembrou que, “em nome da responsabilidade e sentido de Estado”, o seu partido viabilizou o Orçamento de Estado na generalidade.
Nesse dia, porém, “aquilo que o PS e o Governo se dedicaram foi a criar crises artificiais e ameaçar com moções de censura e moções de confiança”.
“Aquilo que o Governo merece é que se dê uma moção de bom senso para que o Governo faça aquilo que deve fazer: é governar”, defendeu.
A última edição do semanário "Sol" voltou a transcrever extratos do despacho do procurador João Marques Vidal, responsável pelo caso Face Oculta, em que considera haver “indícios muito fortes” do envolvimento do Governo, “nomeadamente o primeiro ministro”, num plano de controlo de vários meios de Comunicação Social, além da TVI. Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, que suspendeu as suas funções de vice-presidente do BCP, e Paulo Penedos.

