Estúdios de Hollywood querem controlar os "tweets" das estrelas

20.10.2009 - 12:59 Por Susana Almeida Ribeiro
Dois grandes estúdios de Hollywood - Disney e DreamWorks - proibiram as suas estrelas de cometerem quebras de confidencialidade sobre os projectos em curso através de “media interactivos como o Facebook, Twitter ou qualquer outra rede social ou blogue pessoal”, avançou a “Hollywood Reporter”.
Para garantir o secretismo, os estúdios estão a obrigar estrelas e criativos a assinarem contratos de confidencialidade que compreendem os novos media. Os actores Cameron Diaz e Mike Myers - que mais uma vez darão voz às personagens Fiona e Shrek em mais uma sequela da película - foram os primeiros a ser abrangidos por esta medida.
As celebridades abraçaram rapidamente as novas redes sociais porque isso lhes permitiu acesso directo aos seus fãs sem passarem pelos jornalistas e pelos paparazzi. Os actores (e casal) Ashton Kutcher e Demi Moore, bem como a argumentista responsável pelo êxito Juno, Diablo Cody, são algumas das estrelas de Hollywood com maior número de seguidores no Twitter.
Mas a incapacidade de controlarem as mensagens das suas estrelas está a pôr alguns estúdios de cabelos em pé. Paula Abdul surpreendeu recentemente a Fox ao anunciar, num tweet, que iria abandonar o júri do American Idol. Também a estrela da série Heroes, Greg Grunberg (Matt Parkman), publicou uma mensagem em que dava a entender, erradamente, que a série seria cancelada.
Há duas semanas, a Fox teve outro susto quando o produtor executivo da série Ossos, Hart Hanson, escreveu no Twitter a seguinte mensagem: “Pela primeira vez na história de Ossos vamos ter que parar a produção. Maldita gripe suína!”. O desabafo acabou por originar notícias quase instantâneas, obrigando Hanson a esclarecer que a equipa sofria de uma gripe convencional.
Porém, há quem já tenha experimentado e esteja a fazer agora o percurso inverso. A mega-estrela dos adolescentes Miley Cyrus, mais conhecida entre nós como Hanna Montana, anunciou na semana passada o fim da sua conta no Twitter. Miley fez um rap para explicar aos seus fãs os motivos que a levaram a desistir de uma das redes sociais mais famosas: diz que deixou de viver para os momentos e que começou a viver para as pessoas, queixando-se igualmente de que os sites de boatos transformam em notícia tudo o que escreve. Trent Reznor, dos Nine Inch Nails, e a cantor britânica Lily Allen tambem decidiram entretanto deixar de twittar.
Atracção e repulsa
Os compulsivos do Twitter não se confinam, porém, ao mundo de Hollywood. Nos Estados Unidos, outras frentes estão a começar a impor limites aos seus membros: desportistas profissionais e jornalistas estão igualmente na mira dos patrões. Recentemente, o “The Washington Post” difundiu junto do pessoal algumas regras para o uso do Twitter e de outras redes sociais, que incluem os seguintes ditames: “Ao usarmos estas redes, nada poderá pôr em questão a nossa imparcialidade noticiosa... Os jornalistas deverão inibir-se de escrever, tweetar ou postar mensagens - incluindo fotografias e vídeos - que possam ser encaradas como reflectindo posições comprometidas em relação a assuntos políticos, raciais, sexuais e religiosos que possam ser usadas para diminuir a nossa credibilidade jornalística”.
“Isto é apenas o começo”, disse à mesma revista um advogado especializado na indústria do entretenimento. “Hollywood tem uma longa história de controlo daquilo que os seus talentos dizem aos media. Esta é apenas uma nova era dos media que ainda não foi controlada”.
Ironicamente, apesar de temer quebras de confidencialidade, Hollywood apoia-se nos novos media para gerar algum burburinho em torno dos seus projectos. A ABC, por exemplo, começou a mostrar na sua página oficial os tweets de algumas das suas estrelas, mas fê-lo depois de ter enviado uma circular com alguns regras sobre essa prática. Tweetar regularmente, não revelar o enredo e não fazer comentários desrespeitosos são algumas dessas regras.

