A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recomenda que o "Jornal da Madeira" e o "Diário do Alentejo" utilizem maior diversidade de fontes, uma obrigação que estas publicações de capitais públicos não têm cumprido, segundo o Relatório de Regulação de 2007 hoje divulgado pela ERC .
Relativamente ao diário alentejano, a ERC lembra que "tratando-se de um jornal de capitais maioritariamente públicos, o 'Diário do Alentejo' encontra-se obrigado a acolher nas suas páginas uma maior diversidade e pluralidade de fontes". Este alerta surge pelo facto de esta publicação recorrer ao Governo e ao PCP como fontes mais frequentes e por publicar artigos que na sua maioria contêm apenas uma fonte ou por vezes informação não atribuída.
No que respeita ao "Jornal da Madeira", a recomendação do organismo regulador é a mesma, mas agravada pela necessidade de diversificar e multiplicar não apenas as fontes mas também os temas e os actores. Este jornal está centrado em temas, protagonistas e fontes da Região Autónoma da Madeira, com forte predominância dos membros dos órgãos políticos regionais, quando o tema é política nacional, e com recurso, em mais de metade dos artigos, a fonte única, quase sempre pertencente à política regional.
Quanto aos jornais de informação geral de expansão nacional, a ERC considera que o semanário "Expresso" pratica "jornalismo de qualidade", nos termos definidos no seu estatuto editorial, visível por exemplo na importância dada a temas e actores das áreas política nacional e internacional, e com uma titulação essencialmente informativa. Neste semanário, as fontes são identificadas e múltiplas, encontrando-se "com expressão reduzida" artigos sem fontes identificadas.
Já o semanário "Sol" é caracterizado como um misto de jornal de "referência" e "popular", dando importância a temas substantivos de política nacional, mas recorrendo a uma titulação e manchetes com um perfil mais popular e apelativo. A ERC sublinha ainda que mais de metade dos artigos do "Sol" não possui fontes identificadas, recorrendo maioritariamente a apenas uma quando identifica.
PÚBLICO é "jornal de referência", segundo a ERC
Entre os jornais diários, a ERC considera que a análise das primeiras páginas permite concluir que o PÚBLICO e o "Diário de Notícias" são "jornais de referência", embora este último contenha elementos característicos do perfil popular, nomeadamente o destaque conferido a crimes e actividades policiais. O DN tende a fazer manchetes principalmente com temas de política nacional, ao passo que o PÚBLICO se destaca pela importância atribuída a temas e protagonistas internacionais e da área da cultura. A grande maioria das fontes destes jornais é identificada e múltipla.
O "Correio da Manhã" é um "jornal popular", como revelam as primeiras páginas das edições analisadas pela ERC: manchetes e temas a incidirem sobre crimes, actividades policiais e casos de justiça, bem como o recurso a títulos de primeira página que privilegiam o apelo à leitura. Recorrendo a fontes múltiplas e identificadas, estas provêm na maior parte dos casos da mesma área - forças de segurança, bombeiros e protecção civil -, enquanto os actores são sobretudo atletas e técnicos desportivos, cidadãos comuns e responsáveis do sistema judicial.
O "Jornal de Notícias" é um "diário generalista de expansão nacional", que aparece muitas vezes associado a um perfil mais regional que nacional. A maior parte os artigos cuja origem da informação é identificada tem fontes múltiplas, embora se verifique um número significativo de artigos com apenas uma fonte e um número reduzido de notícias sem fonte atribuída.
O "24 Horas" é um "jornal popular" com elementos de imprensa tablóide, patentes na importância dada aos temas que envolvem "celebridades e figuras públicas" da sociedade, desporto e cultura. Os acontecimentos ocorridos no período em análise contribuíram para que o jornal destacasse muitas vezes para primeira página actores do sistema judicial, relacionados com casos como Madeleine McCann ou Processo Casa Pia. Mais de metade dos artigos possui fontes atribuídas e consulta mais do que uma.


