15 anos de Público Online

Editorial: O desafio que persiste, 15 anos depois

21.09.2010 - 23:35

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Este ano assinalam-se duas efemérides muito importantes para a história do PÚBLICO: os vinte anos do arranque do jornal e os quinze anos do arranque do PÚBLICO.pt. Esse curto intervalo de cinco anos separa duas fundações. O jornal que tem entre mãos foi o pioneiro em Portugal do jornalismo na Internet. Um salto para o qual foi essencial a visão do primeiro director do PÚBLICO.pt, José Vítor Malheiros, a quem o PÚBLICO deve o estatuto de referência que conquistou e detém no jornalismo online.

Nesse momento em que a Internet começava a massificar-se, havia muito mais dúvidas do que certezas a rodeá-la. Lentos, mal desenhados, os sites pareciam ainda ser objectos de um culto esotérico reservado aos doentes dos computadores. Eram poucos ainda os que compreendiam o seu potencial e sabiam que a Internet trazia consigo uma promessa que ultrapassava a informática. A tecnologia ia ser o veículo de uma mutação social sem precedente. A comunicação e o jornalismo nunca mais foram os mesmos. E nunca mais voltarão a sê-lo.

A porta que se abriu há 15 anos transformou de alto a baixo o universo da informação. Estamos ainda longe de conhecer toda a extensão de uma mudança que está longe de chegar ao fim. Não mudou apenas o jornalismo. Alterou-se o contexto social em que ele é produzido. Os cidadãos tornaram-se jornalistas, enquanto a base de dados praticamente infinita que é a Internet abria o acesso a novas fontes. Os jornalistas foram obrigados a partilhar o seu poder de recolher e distribuir informação. À medida que este jornalismo do cidadão se afirmou, cresceu uma crise de legitimidade dos media convencionais. Ao mesmo tempo que dava novas oportunidades aos jornalistas, a Internet tornava-se uma sombra do jornalismo, um espaço público onde as escolhas editoriais, os alinhamentos e as omissões dos jornalistas eram criticados abertamente. A tecnologia foi abrindo cada vez mais portas a um novo exercício da cidadania. O telemóvel introduziu a era das manifestações políticas espontâneas e instantâneas, convocadas ao ritmo das SMS. Ao velho universo dos chat rooms sucederam as redes sociais, como o Facebook, agrupando numa mesma plataforma milhões de pessoas que ali convivem e partilham informação. Mudaram os modos de produção e os modos de disseminação da informação.

Mas enquanto toda essa promessa de uma democracia mais ampla se concretiza, há um mal-estar que persiste. A crise não é só do jornalismo, é da democracia representativa e das instituições que a constituem. Ao mesmo tempo que o acesso à informação se multiplicou, acentuou-se o défice de interpretação da informação. O jornalismo reserva hoje para si esse papel, bem como o de produtor especializado de informação. Mas é-lhe difícil afirmar-se no oceano turbulento dos novos media.

15 anos depois de o PÚBLICO.pt ter dado os primeiros passos, o consumo de informação na Internet não parou de crescer, enquanto a circulação em papel diminuiu. Um fenómeno global. Mas a questão central continua a ser a mesma. O valor da credibilidade não muda em função da plataforma em que o jornalismo é publicado. O desafio dos próximos 15 anos continua a ser o mesmo.

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publico on line

o motivo de gostar do Público é simples : é o unico média português ...

Anónimo

22.09.2010 20:10