Reportagem

E na reunião da manhã António Câmara teve mais uma "ideia louca"

05.03.2011 - 14:18 Por Isabel Coutinho

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António Câmara com Teixeira da Mota, dois velhos amigos no PÚBLICO António Câmara com Teixeira da Mota, dois velhos amigos no PÚBLICO (Foto: Pedro Cunha)
O director por um dia só pediu para não ter ideias para o grafismo do jornal. De resto fez o que lhe competia: ter ideias, em catadupa, de manhã até ao fim do dia.

No dia em que António Câmara foi director do PÚBLICO "não aconteceu nada de fantástico ou de dramático no mundo". Mas nas horas que o CEO da YDreams passou na redacção do jornal tudo foi diferente: houve croissants na reunião da manhã, festa de aniversário ao final da tarde, e surgiram ideias loucas.

O Prémio Pessoa 2006 acredita que se pode mudar Portugal e o jornal que concebeu pretende ser um documento que aponta caminhos para essa mudança. Para ele é essencial que o país deixe de ser bem-comportado, que raciocine fora da caixa e seja rebelde para não passar despercebido.

Ontem, António Câmara desligou o telemóvel e foi buscar a inspiração para o seu papel de director por um dia à frase várias vezes repetida pelo cientista que descodificou o código alemão na Segunda Guerra Mundial: "Mais vale ser excitante e errado, do que certo e aborrecido".

Logo de manhãzinha, antes da reunião dos directores e editores onde se analisa a actualidade do dia e se discute o jornal que vai sair no dia seguinte, o professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa já tinha visto, página a página, o caderno P2 especial. "Está óptimo. Muito giro. Os meus dois mil alunos vão comprar de certeza", brincou com as editoras, visivelmente entusiasmado ao ver as ideias que vinha desenvolvendo há semanas finalmente concretizadas no papel. Este caderno, com as "21 ideias fora da caixa para mudar Portugal", é como "um livro para se guardar" e onde se mostra que vale a pena "pensar diferente" e lutar pelas nossas ideias. "Estas pessoas lutaram contra o status quo, ousaram vencer a inactividade e o seu grande valor é que são um exemplo a seguir", diz.

Os editores iam entrando, pouco a pouco, na sala, em Lisboa, onde ia decorrer a reunião da manhã com ligação por videoconferência ao Porto. Duas bandejas com croissants em cima da mesa eram a novidade, além da presença do director por um dia. "Ai tão chique esta reunião, tem croissants e tudo!", brincava alguém. "Isto na Holanda era o almoço", acrescentava António Câmara mostrando bom humor, que manteve ao longo do dia. O director passou o dia a escrever os seus textos, a ver emails e a espreitar (com o coração apertado) as oscilações da bolsa. Participou nas reuniões e até recebeu visitas de "solidariedade" - o jurista Teixeira da Mota, que andou com ele no liceu, passou pelo jornal e o deputado europeu e cronista Rui Tavares também. O director por um dia ficou na redacção de Lisboa até à concepção da primeira página embora tivesse pedido para não o obrigarem a decidir a parte gráfica porque em desenho tinha sido sempre o pior aluno da turma.

Na reunião da manhã, quando se discutiam os temas do dia, António Câmara ia fazendo comentários e contando histórias. Surpreendeu ao dizer: "Tive uma ideia louca...". Imaginou que se poderia criar no PÚBLICO online um sistema de apostas em que os leitores apostariam em várias hipóteses relacionadas com acontecimentos (por exemplo, respostas à pergunta "Rui Rio vai candidatar-se à liderança do PSD ou não?") e depois tinham que ir seguindo as notícias, dia-a-dia, para verem o que acontecia e se ganhavam ou perdiam. Criava-se uma comunidade de leitores que apostavam, transformava-se isto num jogo social.

A "intensidade" do trabalho numa redacção surpreendeu-o. "A maior parte dos leitores não sabe o que as pessoas trabalham para que o jornal saia no dia seguinte", confessou no final do dia, em que passou grande parte do tempo a escrever o seu editorial e uma crónica sobre a carrinha pão de forma que a Volkswagen ressuscitou, que surgiu de surpresa. Era uma notícia do dia.

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pois

uma boa idéia era tirar a caixinha que está sempre a abrir aqui em baixo do lado direito, isso, ...

afonso

06.03.2011 00:13

X

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