Director de Informação da RTP contesta existência de "quotas" dos partidos

07.05.2008 - 10:20 Por Lusa
O director de Informação da RTP, José Alberto de Carvalho, contestou ontem a existência de um sistema de "quotas" dos partidos políticos na televisão pública, defendendo que o tempo dedicado a cada um tem de ser decidido unicamente por critérios jornalísticos.
"A preocupação de equilibrar os tempos [dedicados a cada partido político durante a informação] não é em Portugal nem em nenhum país do mundo um critério jornalístico", disse José Alberto de Carvalho que foi ontem ouvido na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura.
Garantindo que "nem sabia que havia uma quota para cada partido" que respeita a representação parlamentar e é fiscalizada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o responsável sublinhou que o seu critério de escolha e duração das notícias sobre partidos políticos "tem que ser exclusivamente de interesse jornalístico sob risco de violar a cláusula de consciência" do Estatuto dos Jornalistas.
Admitindo concordar com a monitorização feita pela ERC para elaborar o relatório sobre pluralismo político-partidário apresentado em final de Março, José Alberto de Carvalho defendeu que "a RTP não deve ajudar os partidos a preencher a sua agenda política", já que "isso é um problema dos partidos".
A audição parlamentar do director de Informação foi pedida na sequência do relatório da ERC sobre pluralismo político-partidário que concluiu que o PSD é sistematicamente sub-representado nos blocos informativos da estação enquanto o PS é "apagado" como partido autónomo do Governo. Um problema que é, para José Alberto de Carvalho, questionável até porque "houve uma grande exaltação política há cerca de um ano e meio, quando a RTP tentou alterar o horário dos tempos de antena para imediatamente antes do principal bloco informativo", mas "o que se verifica é que houve partidos que nem utilizaram [esse tempo de antena] integralmente".
"Se um partido não tem nada a dizer nos tempos de antena, porque é que hei-de ir perguntar-lhe alguma coisa nos eventos da actualidade?", perguntou o director de informação da RTP. Questão que o deputado social-democrata Agostinho Branquinho considerou estar a ser confundida por José Alberto de Carvalho, a quem acusou de não distinguir "tempos de antena de jornalismo".
RTP aposta na salvaguarda da língua portuguesa e na ficção nacional
A criação de uma figura que salvaguarde a utilização da língua portuguesa nos blocos informativos e a aposta em ficção nacional diferenciada foram duas das prioridades ontem apresentadas no Parlamento pelos directores da RTP.
De acordo com o director de Informação da estação, José Alberto de Carvalho, a RTP está a planear criar, até ao final deste ano, uma figura que ajude a redacção a respeitar a língua portuguesa face às novas regras adoptadas com o acordo ortográfico.
Chamado ao Parlamento a propósito do relatório da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre o pluralismo político-partidário na estação, José Alberto de Carvalho foi também questionado sobre as suas prioridades e opções para a estação numa reunião que é obrigatória e anual e que acabou por ser estendida também ao director de Programas.
Segundo o director de Informação uma das prioridades para 2008 será também a reorganização da redacção, que "cresceu segundo modelos obsoletos quer em termos de pessoas quer no circuito de notícias" e que irá incluir a integração da redacção multimédia na redacção geral. José Alberto de Carvalho quer ainda alargar o espaço dedicado a reportagens, com a transmissão de reportagens de média duração, além de estar a preparar uma renovação cenográfica dos programas de informação.
Também presente na comissão parlamentar para a reunião anual com os directores, o responsável pela Programação, José Fragoso, lembrou que os conteúdos planeados para este ano não foram escolha sua. "Quando cheguei à RTP, há três meses, encontrei uma grelha estabilizada e um conjunto de programação já para o ano inteiro", disse. Ainda assim, José Fragoso avançou algumas prioridades estabelecidas pela sua direcção, dando destaque à necessidade de "iniciar projectos de ficção nacional que não sejam novelas".

