Declarações do alto-comissário para a Imigração

Diálogo Intercultural: trabalho dos jornalistas portugueses é dos melhores da UE

14.11.2007 - 10:43 Por Lusa

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Rui Marques disse que os “media” influenciam significativamente a percepção e a construção da realidade Rui Marques disse que os “media” influenciam significativamente a percepção e a construção da realidade (Enric Vives-Rubio/PÚBLICO (arquivo))
O alto-comissário para a Imigração, Rui Marques, salientou hoje a centralidade dos “media” na promoção do diálogo interculutral e da tolerância, referindo que o trabalho dos jornalistas portugueses nesta área “é um dos melhores exemplos a nível europeu”.

A relação entre os “media”, a imigração e o diálogo interculutral e os desafios que daí resultam são os principais temas da reunião dos “Pontos Focais do Ano Europeu do Diálogo Intercultural”, que se realiza hoje em Lisboa, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia.

Na véspera do evento, o alto-comissário para a Imigração e Diálogo Interculutral, Rui Marques, lembrou, em declarações à Lusa, que numa sociedade onde os “media” influenciam significativamente a percepção e a construção da realidade, é “fundamental ter em conta o papel que estes têm na promoção do diálogo intercultural”.

Nesse sentido, Rui Marques explicou que a iniciativa, na qual participam diversos especialistas nacionais e europeus, pretende relembrar os desafios que se colocam aos órgãos de comunicação social para que estes não condicionem negativamente as condições para esse diálogo.

“A presidência portuguesa da UE tem vindo a dar grande importância às questões da imigração e trouxe uma visão positiva deste fenómeno. Esta iniciativa é uma peça desse contributo e uma etapa importante na preparação do Ano Europeu do Diálogo Intercultural (AEDI), que se celebra em 2008”, disse.

Fomentar a auto-regulação

De acordo com o responsável, o grande objectivo “é sempre o fomento da auto-regulação” e o do cumprimento do código deontológico, para que não sejam cometidos erros por omissão ou por utilização errada da identificação de nacionalidade ou etnia, a não ser quando esta é explicativa do acontecimento em notícia.

Rui Marques lembrou que outro dos desafios passa pela não utilização de categorias grupais como “ciganos” ou “negros” enquanto sujeito da notícia ou como enquadramento de um determinado comportamento.

Importa ainda, de acordo com o responsável, avaliar a efectiva relevância de um acontecimento por si mesmo independentemente da origem “diferente” do seu protagonista, ou seja, evitar “as armadilhas do valor-notícia: diferente, estranho e exótico”.

Um investimento sério na formação contínua que leve os jornalistas a conhecer de uma forma cada vez mais detalhada a temática das migrações e diversidade cultural é outro dos passos necessários.

Diferenças são superficiais

“Em Portugal tem-se evoluído muito neste domínio e os jornalistas têm feito grandes esforços no sentido de evitar referências à nacionalidade ou etnia desnecessárias, como também têm vindo a apresentar cada vez mais a realidade humana do fenómeno”.

Apesar de os jornalistas portugueses serem um dos melhores exemplos a nível europeu é, no entanto, segundo Rui Marques, fundamental aumentar ainda mais esses esforços e dar maior visibilidade à diversidade cultural e às vantagens que a riqueza multicultural traz para a sociedade.

“O grande desafio do Ano Europeu do Diálogo Intercultural vai ser o de dar a conhecer esse contributo, nomeadamente o de fazer perceber às pessoas que o outro, o estranho, é exactamente um ser humano como nós e que as diferenças são realidades superficiais”.

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