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Relatório hoje apresentado

Desequílibrio entre Governo e oposição na informação da RTP deve-se a presidência da UE, diz director de informação

31.03.2008 - 18:44 Por Lusa

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José Alberto Carvalho diz que a análise da ERC peca pelo seu carácter pontual José Alberto Carvalho diz que a análise da ERC peca pelo seu carácter pontual (Miguel Silva (arquivo))
A maior presença do Governo relativamente à oposição nos noticiários da RTP, apontada hoje num relatório do organismo regulador, deve-se à presidência portuguesa da União Europeia no período analisado, defende o director de Informação da estação pública de televisão.

A ERC entregou hoje na Assembleia da República um relatório sobre pluralismo político-partidário, que cobre o período de Setembro a Dezembro de 2007, e que conclui que o PSD é sistematicamente sub-representado nos blocos informativos da RTP enquanto o PS é "apagado" como partido autónomo do Governo.

Reagindo a estas conclusões, José Alberto Carvalho lembrou que este é apenas o primeiro relatório da ERC sobre esta matéria, salientando que as experiências internacionais, nos países onde existe monitorização quantitativa, recomendam que a análise seja feita ao longo do tempo e não de forma pontual, uma vez que os resultados podem induzir em erro.

A este propósito lembrou que o período em análise coincidiu com a presidência portuguesa da União Europeia, o que conduziu à cobertura jornalística de iniciativas do Governo "que não levam a grande debate e não exigem contraditório".

Contudo, fez questão de frisar que "nunca nenhuma tomada de posição do PSD deixou de ser acompanhada e emitida pela RTP".

O responsável criticou também o facto de apenas ter sido contabilizada a representação dos partidos no canal.

"As iniciativas dos sindicatos, nomeadamente nas áreas da Saúde e da Educação, são acções com consequências políticas, mas sem reflexo no relatório", frisou, considerando "sensato" aguardar pelo relatório anual de análise dos diversos canais, com dados mais comparativos sobre diversos temas.

Afirmando que a RTP está atenta a todos os estudos que possam ajudar a melhorar a qualidade da informação, o director de informação da RTP considera contudo que um "primeiro relatório deve ser visto com a natural prudência de uma iniciativa inédita".

José Alberto Carvalho garante ainda que este tipo de exercício não vai mudar o serviço informativo do canal: "os portugueses não vão ver notícias inventadas só para cumprir uma quota".

De acordo com o relatório da ERC, é "detectável um relativo excesso de presença do Governo e PS", sendo também "sistemática a sub-representação do PSD nos diferentes serviços de programas da RTP".

O documento adianta ainda que "a presença do Governo apaga a presença do PS enquanto partido da maioria, na informação do serviço público de televisão".

O relatório analisou 3229 peças noticiosas e 17 programas de debate, entrevista e comentário distribuídos por vários canais da estação: RTP1, RTP2, RTPN, RTP-M e RTP-A.

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