Desde o início do ano já foram assassinados 88 jornalistas

30.11.2009 - 15:21 Por Romana Borja-Santos
Um relatório da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias avança que desde o início do ano já foram assassinados 88 jornalistas e várias centenas de trabalhadores do sector da comunicação social foram detidos sem qualquer acusação formal.
Em comunicado, a associação recorda "o ataque horrível" que ocorreu nas Filipinas no passado dia 23 de Novembro, do qual resultaram 57 mortos, entre os quais 30 jornalistas. "Foi o ataque mais mortífero na memória dos media2, lê-se na nota. Com este atentado, o número de jornalistas mortos naquele país, só este ano, subiu para 35, tornando as Filipinas "no país mais perigoso do mundo para jornalistas".
Na última década, de acordo com os dados do mesmo relatório apresentado hoje em Hyderabad, na Índia, mais de 750 jornalistas foram assassinados. Só em 2009, centenas de trabalhadores do sector da comunicação social foram detidos por motivos relacionados com o seu trabalho e pelo menos 170 continuam presos.
A Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias refere também que "a hostilidade de muitos governos perante qualquer forma de dissidência continua a impedir a divulgação independente de notícias na Ásia". E acrescenta que os jornalistas que trabalham temas relacionados com a corrupção ficam expostos, dando como exemplos de países onde há falta de liberdade de expressão a China, o Sri Lanka e o Nepal.
Censura
O relatório aponta o dedo ao Médio Oriente e ao Norte de África pela "intolerância à verdade, à dissidência e à sátira". E dá como exemplo de tentativa de acabar com a liberdade de expressão a censura feita a alguns blogues e páginas pessoais na Internet. "Revela o quanto os governos acreditam que a Internet pode ser uma ameaça ao seu poder." A censura por parte do poder político está, também, a conduzir à auto-censura, alega o relatório.
Sobre a América Latina, o documento refere que "os repórteres estão a ser mortos com impunidade, enquanto os críticos e os media que fazem oposição são arbitrariamente silenciados". A Europa e a Ásia Central também não estão isentas de críticas, referindo a associação que continuam a resistir problemas sobretudo na área dos direitos humanos.
A Associação Mundial de Jornais e a Associação de Investigação INCA-FIEJ (entidade que reunia diversos editores de jornais) decidiram fundir-se no passado dia 1 de Julho numa única organização que tomou o nome de Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias. Com sedes em Paris (França) e em Darmstadt (Alemanha), a nova organização representa mais de 18 mil publicações, 15 mil sites e reúne um número superior a três mil empresas em mais de 120 países.
A associação pretende ser "um parceiro indispensável dos jornais e de toda a indústria mundial de publicação de notícias, sobretudo dos seus membros, na defesa e promoção da liberdade de imprensa, do jornalismo de qualidade e da integridade editorial, e do desenvolvimento de tecnologias e negócios prósperos".

