O deputado socialista Paulo Pisco quer que a RTP diga ao Parlamento se vai redefinir a estratégia de programação dos canais internacionais, defendendo que a actual suscita pouco interesse nas novas gerações de portugueses espalhados pelo mundo.
Num requerimento entregue hoje na Assembleia da República, o deputado refere que na RTP Internacional “não há um jornalismo de e para as comunidades, nem tão pouco é visível a promoção e reconhecimento dos muitos valores que existem nas comunidades em todos os domínios da vida em sociedade”.
“Nota-se falta capacidade para suscitar o interesse das novas gerações de portugueses espalhados pelo mundo, falta a dimensão cívica e política fundamental para a afirmação das nossas comunidades e não se vê preocupação no estreitamento dos laços económicos entre os empresários da diáspora e Portugal e vice-versa”, refere o deputado no requerimento.
O deputado socialista considera ainda que “não existe na RTP-África uma verdadeira promoção da cooperação e dos laços históricos e culturais” que ligam Portugal aos países que falam português, particularmente junto de todos os parceiros na CPLP.
Embora reconheça alguma evolução na diversificação de programas, Paulo Pisco considera que a grelha actual permanece, aparentemente, sem qualquer definição de objectivos estratégicos e está muito longe de competir com canais internacionais de outros países.
Para o deputado Paulo Pisco, esta situação não é consentânea com a necessidade de utilizar os canais internacionais, tanto a RTP-I como a RTP-África, como um verdadeiro serviço público de televisão.
Partindo desta análise sobre a situação da RTP Internacional, o deputado socialista requer à administração da RTP que esclareça se está a equacionar redefinir a estratégia no que respeita às modalidades e programas informativos/noticiosos ou de entretenimento direccionados para as antenas internacionais.
O deputado quer ainda que a RTP explique se tem prevista alguma alteração nos conteúdos e, em caso afirmativo, em que sentido.
Questionada pela Lusa sobre este requerimento, a porta-voz da administração da RTP disse que a empresa não tem ainda conhecimento oficial deste documento “mas quando o tiver tomará uma posição se assim o entender”.


