Entrega agendada para amanhã em Estrasburgo

Damas de Branco sem autorização de Cuba para receber prémio Sakharov

13.12.2005 - 19:31 Por Lusa

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O movimento pediu ao Parlamento Europeu para enviar uma delegação a Cuba para a entrega do prémio O movimento pediu ao Parlamento Europeu para enviar uma delegação a Cuba para a entrega do prémio (Rolf Haid/EPA)
O movimento cubano Damas de Branco não vai estar amanhã em Estrasburgo obteve autorização de Havana para se deslocar amanhã a Estrasburgo para receber o prémio Sakharov para a liberdade de pensamento, pedindo que a entrega seja feita em Cuba.

O movimento, constituído por mulheres familiares dos 75 dissidentes cubanos presos desde 2003, "não obteve autorização atempada" por parte das autoridades cubanas para assistir à cerimónia de entrega do galardão e pediu ao Parlamento Europeu (PE) que envie uma delegação a Cuba para a entrega do prémio, indica um comunicado do PE.

Amanhã, em Estrasburgo, o discurso de aceitação será feito por Blanca Reyes, mulher do jornalista e poeta cubano Raúl Rivero, condenado a 20 a nos de prisão por escrever em defesa dos 75 membros da família das "Damas de Branco", libertado em Novembro de 2004 e actualmente exilado em Espanha.

O Partido Popular Europeu já anunciou que vai defender na conferência de presidentes dos grupos políticos – órgão competente para decidir o envio de delegações – que um grupo de eurodeputados se desloque a Cuba para entregar o prémio em mão, iniciativa que não é apoiada pelo grupo socialista, o segundo maior do hemiciclo.

Em Lisboa, o CDS/PP insurgiu-se contra "a intolerância e prepotência do regime de Fidel Castro" neste caso que, segundo um comunicado do partido, "confirma, da forma mais triste, a absoluta justeza, o merecimento e importância da atribuição deste galardão anual às Damas de Branco, bem como a necessidade de se reforçarem os laços e gestos de solidariedade para com o povo cubano".

Desde a criação do Prémio Sakharov para a liberdade de pensamento, três premiados não puderam deslocar-se para a cerimónia de entrega por se encontrarem presos: o sul-africano Nelson Mandela (1988), a birmanesa Aung San Suu Kyi (19 90) e a curda Leyla Zana (1995).

Tanto Mandela como Zana visitaram posteriormente o PE para receber o galardão, mas Suu Kyi, actualmente em prisão domiciliária, ainda não o pôde fazer.

As Damas de Branco partilham este ano o prémio Sakharov com a advogada nigeriana Hauwa Ibrahim e a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras.

O galardão já foi entregue ao presidente da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão, e ao bispo angolano Zacarias Camuenho.

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