Contra-Informação despede-se com "amor" e malfeitorias

11.12.2010 - 16:34 Por Rita Brandão Guerra

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Os programas antigos podem ser vistos no site da RTP Os programas antigos podem ser vistos no site da RTP (Miguel Madeira (arquivo))
Chegou ao fim. Catorze anos, 170 bonecos. Terminou quinta-feira o Contra-Informação, o único programa de sátira política da televisão em Portugal. Para o desfecho uma história de amor com final feliz: José e Aníbal.

Os bonecos de Sócrates, Oliveira Martins e Silva Pereira marcam um momento hilariante sobre as famosas consultorias ou "malfeitorias", como escapa ao socrático. Trocas-te, pressionado pelos números apresentados pelo presidente do Tribunal de Contas, pede ao ministro que encomende uma consultoria para ver o que se passa de errado nas consultorias - "Gasta o que for preciso, temos de limitar os gastos." Afirma Pereira já fez o ajuste directo "com a consultora do costume" e Trocas-te pede-lhe que faça outra consultoria à consultoria que pediu. Oliveira Martins não tem dúvidas: "O FMI vai entrar em Portugal por ajuste directo."

A José e Pilar segue-se agora, do mesmo realizador, José e Aníbal - "dois destinos, uma estratégia". Um Regressado Silva profundamente comprometido com o fim do monstro e obcecado com a cooperação estratégica, um José Trocas-te implorando por um pequeno aumento de impostos sobre os combustíveis ou nas contribuições para a Segurança Social. Os diálogos entre ambos revelam uma "história de amor pelo poder". José atira a Aníbal: "Aquilo é que foi espatifar dinheiros europeus, eram auto-estradas, IP..." Regressado Silva confessa: "Por isso eu no fundo gosto de ti, meu bom rapaz, fazes-me lembrar a mim quando era mais novo, mas sem dinheiro." "Tu não vais votar no Manuel Triste, pois não?", pergunta, curioso, Regressado. "Achas?!", responde-lhe José.

Na hora da despedida Santana Flopes chora, o professor Martelo não tinha um desgosto tão grande desde que Santana era primeiro-ministro, Boca Guedes promete voltar com a sua "cara de boneca" noutra estação televisiva e Kampião Félix acha que o fim é "um caso sério de censura".

Todos querem o boneco no Panteão Nacional. Mário Só Ares porque colocou Portugal na UE, foi o primeiro a chamar o FMI e pelo caminho ainda foi Presidente da República. Mas deitado ao lado de Aquilino Ribeiro quer ficar Manuel Triste - "A mim ninguém me cala!". Trocas-te acredita que consegue lugar no monumento, porque "como se sabe" é muito determinado e o "porreiro, pá" não faltou na festa de despedida. Mas Aníbal conta para o efeito com o patrocínio do Banco Português de Negociatas, através de um offshore em Porto Rico. Barraca Abana conclui que "Portugal é um país fácil para ser boneco" e entra na disputa pelo "Panteãozinho", agora que as "broncas" da sua administração já não lhe garantem um lugar em Washington.

No final, fica prometida a nona comissão de inquérito ao fim do Contra-Informação - cujos programas antigos podem ser vistos no site da RTP.

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Comentário + votado

Lamentável, lamentável...

O melhor programa satírico que passou no meio televisivo, finanram-no, enterraram-no, ...

Manuel Matias

11.12.2010 22:27

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