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Há mais leitores de jornais online do que nunca

Continua o êxodo dos leitores de jornais americanos do papel para a Internet

10.05.2006 - 10:56 Por Joana Amado, , (PÚBLICO)

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Os administradores dos media ainda não conseguiram descobrir a  fórmula mágica de ganhar dinheiro com os leitores de jornais online Os administradores dos media ainda não conseguiram descobrir a fórmula mágica de ganhar dinheiro com os leitores de jornais online (Paulo Ricca/PÚBLICO (arquivo))
Apesar do contínuo declínio na circulação dos jornais diários em versão papel, os dados divulgados pela Associação de Jornais Diários norte-americana (NAA na sua sigla inglesa), referentes ao primeiro trimestre, mostram que o número de visitantes das versões online desses mesmos jornais está a aumentar de dia para dia.

Entre o início do ano e o final de Março, os sites de jornais diários registaram um aumento de oito por cento de visitas - o que representa novos máximos históricos, já que os recordes têm vindo sucessivamente a ser batidos.

Os dados da Nielsen/NetRatings, encomendados pela NAA, mostram que os sites de jornais tiveram uma média de 56 milhões de utilizadores no primeiro trimestre de 2006, o que representa 37 por cento de todos os utilizadores de Internet nesse período.

A acompanhar este aumento de audiências online estão, consequentemente, os lucros da publicidade na Net - entre 25 a 30 por cento por ano. Mas estes representam apenas cinco por cento do total dos lucros com a publicidade arrecadados pelos jornais, uma pequena fatia que, segundo os analistas da Nielsen, tenderá a engordar nos próximos anos.

Para já, o dilema mantém-se: por um lado os jornais em papel perdem leitores mas permanecem como principal fonte de receitas; por outro, as suas versões online ganham popularidade mas estão longe de ser rentáveis.

Os números divulgados pela NAA mostram que a circulação dos jornais diários norte-americanos caiu 2,5 por cento entre Outubro de 2005 e Março de 2006 (no semestre anterior a queda tinha sido de 2,6 por cento). Alguns exemplos: o Washington Post registou uma quebra de 3,7 por cento, o Los Angeles Times baixou 5,4 por cento e o San Francisco Chronicle sofreu uma quebra de 15,6 por cento (justificada, em parte, pelo facto de o jornal ter cortado na distribuição de cópias gratuitas).

Para tentarem travar os descalabros orçamentais, muitos jornais recorreram à receita tradicional: cortar nos gastos, nos recursos e no pessoal. Só desta forma é que os grupos de comunicação social cotados em bolsa esperam conseguir manter as suas acções em alta, mantendo os seus investidores satisfeitos. Mas a emenda, segundo o analista Aly Colon, do Poynter Institute, citado ontem pela agência espanhola EFE, poder ser pior que o soneto já que os cortes orçamentais produzem um produto final de menor qualidade o que poderá traduzir-se em menos leitores, situação que levaria a mais cortes...

Para Scott Bolsey, director da Associação de Directores de Jornais norte-americana, o desafio futuro é a adaptação a uma nova realidade, cuja complexidade reside na forma como as pessoas obtêm hoje em dia as notícias. "Temos mais leitores do que nunca graças à Internet", disse Bolsey, também citado pela EFE num artigo publicado no El Mundo online. "O problema é que ainda não descobrimos uma forma de ganhar dinheiro com esses leitores. Ainda não encontrámos um novo modelo de negócio." Um modelo que permita compensar as quebras de vendas e de audiências nas edições impressas.

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