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Por uma ética de comunicação

Congresso da CAIS promove debate sobre jornalismo social

20.03.2006 - 11:02

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Henrique Pinto: O partido que aqui queremos que seja tomado é o da defesa do ser humano Henrique Pinto: O partido que aqui queremos que seja tomado é o da defesa do ser humano (Joana Camões)
Começa hoje o 5º congresso da CAIS, associação de solidariedade social conhecida pela revista mensal vendida na rua pelos sem-abrigo que apoia. Durante três dias, na Fundação Luso-Americana, está aberto o debate em torno da temática "Por uma Ética da Comunicação - Jornalismo Social" que conta com a participação de nomes conhecidos da área, como Joaquim Vieira, Emídio Rangel, Paulo Chitas, Pedro Coelho, Luís Osório ou Vicente Jorge Silva.

"O jornalismo praticado em Portugal devia ser mais social", disse ao PÚBLICO Henrique Pinto, director da CAIS, para explicar os objectivos do congresso. "Não há um cuidado sério no que toca ao bem comum, à sociedade em que todos estamos inseridos e à salvaguarda dos nossos direitos e deveres", acrescenta.

O combate à apatia, à indiferença e ao jornalismo enquanto simples entretenimento estão no centro desta iniciativa da CAIS. "Falar de jornalismo social está na nossa essência e está na continuidade daquilo que tem vindo a ser o nosso trabalho", sublinha o director, que espera que o congresso sirva para reposicionar a defesa e promoção dos direitos humanos no "centro das atenções de todos e não na periferia".

O exercício é mais de questionamento das tendências actuais dos media mainstream do que de simples crítica. Nesse sentido, para além das intervenções previstas, que contam com o contributo de duas perspectivas internacionais (uma da Argentina e outra da Itália), as pessoas interessados podem também participar em três workshops de trabalhos práticos sobre a matéria.

A abordagem do social pela comunicação é um assunto delicado e Henrique Pinto tem consciência disso. "São temas que não vendem, e quando vendem é apenas pelo lado sensacionalista", lamenta. "Os que optam pelo sensacionalismo negativo não ajudam a construir uma sociedade mais inclusiva, amiga e cooperante", e é também por isso que é preciso mostrar quais são as outras soluções. E para ajudar ao trabalho dos jornalistas nesta área, a CAIS está a preparar uma agência de comunicação centrada no social.

O congresso pretende ainda promover uma aproximação do jornalista com o real, abrir o ensino do jornalismo a esta questão e conseguir criar uma oportunidade de encontro entre os agentes sociais e os agentes da comunicação, uma relação que o director da CAIS considera ser distante demais. No caminho da luta contra a "indiferença" nem o conceito da imparcialidade, tão caro à classe jornalistica, fica por abanar: "O partido que aqui queremos que seja tomado é o da defesa do ser humano".

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