José Rodrigues dos Santos e Martim Avillez Figueiredo no rol de testemunhas de defesa

Cofina exige em tribunal indemnização de quase 5 milhões de euros a João Marcelino

17.11.2009 - 17:03 Por Lusa

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A Cofina exigiu hoje em tribunal quase cinco milhões de euros ao ex-director do "Correio da Manhã" por este ter passado para o "Diário de Notícias", mas João Marcelino alega que é ele quem tem a receber.

A indemnização é o objectivo final do julgamento hoje iniciado no Tribunal do Trabalho, em Lisboa, com o grupo de Paulo Fernandes a acusar o ex-director do "Correio da Manhã" de ter violado uma cláusula contratual de não concorrência ao trocar a direcção do "Correio da Manhã" pela do concorrente "Diário de Notícias".

“São dois jornais diários, generalistas de informação. A estrutura dos produtos é relativamente semelhante, nomeadamente desde que João Marcelino assumiu a direcção do DN”, disse o director de recursos humanos da Cofina, Nuno Fernandes, presente no tribunal como testemunha da acusação.

A testemunha alegou ainda que a saída do director causou uma “instabilidade muito grande” no título da Cofina.

Acusação que a defesa de João Marcelino rejeitou, com as testemunhas de defesa a sustentarem a ideia de que o CM e o DN não são concorrentes directos e que a transferência de um director não provoca a mudança de leitores ou de anunciantes.

“O CM e o DN não são [produtos] concorrenciais. O público-alvo é diferente”, defendeu o fundador do jornal do grupo Cofina Carlos Barbosa, actualmente presidente do Automóvel Clube de Portugal.

O argumento foi igualmente defendido pelo pivot da RTP José Rodrigues dos Santos, para quem um director de um jornal “não leva leitores consigo”.

“No meu tempo tive três directores no CM e o jornal manteve sempre o mesmo estatuto. A publicação vive por si só, independentemente do director que lá está”, afirmou Carlos Barbosa.

No rol de 11 testemunhas da defesa estava também o antigo administrador da Controlinveste Afonso Camões, actualmente presidente do conselho de administração da agência Lusa, que afirmou ter sido ele a contratar todos os jornalistas que transitaram da Cofina para a Controlinveste, incluindo João Marcelino.

“A Cofina também contratou na mesma altura à Global Notícias [empresa da Controlinveste] elementos da equipa comercial. Entendemos isso como uma retaliação”, referiu.

Do rol de testemunhas fizeram ainda parte o director do jornal "i", Martim Avillez Figueiredo, o administrador da agência de meios Nova Expressão, Pedro Baltazar, e três jornalistas e um director de arte que trocaram a Cofina pela Controlinveste na mesma altura que João Marcelino - Filomena Martins, Rui Hortelão, Ferreira Fernandes e Paulo Freitas.

A indemnização exigida pela Cofina “é uma prova de grande mesquinhez da Cofina e Paulo Fernandes para ver se não pagam o que me devem”, disse João Marcelino à Lusa à margem do julgamento, adiantando que interpôs um processo em tribunal contra a PresseLivre (empresa detida pelo grupo Cofina) para reaver os valores que, alegadamente, estão em dívida.

João Marcelino assumiu em Março de 2007 a direcção do "Diário de Notícias", tendo levado consigo os subdirectores do Correio da Manhã, Rui Hortelão e Filomena Martins, que assumiram os cargos de directores-adjuntos do DN.

Para assumir a subdirecção do jornal da Global Notícias o nome escolhido foi Catarina Carvalho, que transitou da revista "Sábado", também detida pela Cofina, onde era editora executiva.

Da ‘newsmagazine’ transitou ainda Paulo Freitas, agora director gráfico do DN, e o jornalista Ferreira Fernandes.

Filomena Martins, Rui Hortelão, Ferreira Fernandes e Paulo Freitas têm em tribunal processos contra a PresseLivre por falta de pagamento de prémios, declararam os próprios durante a sessão.

A próxima sessão ficou marcada para 3 de Dezembro, altura em que será ouvida mais uma testemunha de defesa e as alegações dos advogados.

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Agradecer

O correio da manha devia agradecer a saida de um personagem como Joao Marcelino. Um jornalista ...

Ana Maria

19.11.2009 23:36

X

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