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Pesquisa por maiúsculas a sites interditos pelo Governo de Pequim

Cibernautas tentam contornar censura chinesa nas pesquisas do motor Google

03.02.2006 - 12:34 Por António Granado, PÚBLICO

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 (DR)
Alguns cibernautas, preocupados com as restrições do Governo chinês ao Google, conseguiram enganar o site daquele motor de busca na China, fazendo pesquisas em letras maiúsculas e obtendo assim acesso a páginas que, em princípio, estariam censuradas.

A habilidade durou apenas seis horas antes de ser detectada pelas autoridades de Pequim, mas é um sinal do desconforto internacional causado pela decisão do Governo chinês de censurar os resultados do motor de busca mais utilizado do mundo.

A própria Google tem sido criticada por ter cedido às pressões do Governo chinês, aceitando a censura dos seus resultados de pesquisa. A empresa tem-se defendido dizendo que, pelo menos, está a expandir o acesso dos chineses à Internet, sendo que esse facto pode ser benéfico a longo prazo para a liberdade de expressão no país.

O argumento não foi bem recebido, até porque, em nome dessa mesma liberdade de expressão, a Google recusou em meados do mês de Janeiro cumprir uma ordem de um tribunal americano para que disponibilizasse os resultados das pesquisas de milhões de utilizadores da Internet. O pedido foi feito ao tribunal pelo Departamento de Justiça, alegadamente para justificar uma lei antipornografia.

Tentar abrir outras portas

Logo que o Google detectou e corrigiu o "erro" nos filtros electrónicos que permitia a pesquisa por maiúsculas a sites interditos pelo Governo chinês, os cibernautas e piratas informáticos começaram a procurar outras portas para contornar a censura.

"O software tem conhecimento da forma como se escreve "democracia" em francês, italiano, espanhol e alemão. Portanto, não podemos ir por aí", explicou ao eWeek Alec Muffett, um especialista em segurança de redes e animador do site Crypticide, que se tem dedicado a encontrar buracos no Google chinês.

Para conseguir uma autorização de instalação na China, o Google e os motores Yahoo e o MSN (da Microsoft) aceitaram bloquear alguns resultados. A pesquisa de palavras como "democracia", "Tiananmen", "Falun Gong" (uma seita religiosa) ou "Tibete" (região de que a China assumiu o controlo) resulta em resultados censurados quando efectuados nestes motores a partir de território chinês.

Entretanto, a Microsoft revelou ontem que os blogues criados por chineses no seu MSN Spaces, ainda que censurados pelas autoridades locais, continuarão a poder ser lidos fora da China. Há uns tempos, a Microsoft foi alvo de duras críticas por ter acabado com o blogue do jornalista chinês Zhao Jing, por abordar temas sensíveis.

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