Primeiro diário nacional americano a mudar a sua estratégia para a Internet

"Christian Science Monitor" publicou hoje a sua última edição

27.03.2009 - 17:18 Por PÚBLICO

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A edição diária do "Christian Science Monitor" que saiu pela última vez hoje A edição diária do "Christian Science Monitor" que saiu pela última vez hoje (DR)
O “Christian Science Monitor” (CSM) saiu para as bancas pela última vez hoje. Chega assim ao fim a edição em papel de mais um prestigiado jornal centenário dos Estados Unidos.

A crise da imprensa motivada por quebras nas receitas publicitárias tem vindo a alastrar por todo o mundo, e nos EUA as baixas são de peso. Desta feita, foi a vez do CSM, um jornal diário nacional que celebrou o seu centésimo aniversário em Novembro e que conta com sete prémios Pullitzer (o maior galardão norte-americano para o jornalismo).

O jornal, sediado em Boston, torna-se assim no primeiro diário nacional americano a adoptar uma estratégia fundamentalmente baseada na Internet.

Apesar disso, o editor John Yemma referiu à AFP que o jornal vai continuar a publicar uma edição em papel semanal exclusiva para assinantes e uma versão diária de três páginas enviada por e-mail e que pode ser impressa.

A passagem da estratégia do jornal para um formato online não quer dizer que o site vá mudar radicalmente, diz Yemma, que adianta que não é provável que as entradas no site comecem a ser cobradas, como já se faz noutros sites de notícias americanos.

“Não é como se fossemos ter novas animações em ‘flash’ ou alguma coisa melhorada” declara Yemma, referindo que o mais provável é que o site não mude do dia para a noite, mas que acabe por ir sendo aperfeiçoado ao longo dos tempos.

“Ao libertar os jornalistas do papel devemos conseguir que dediquem mais do seu tempo e atenção ao conteúdo online”, destaca Yemma.

John Yemma refere ainda que o jornal já tinha cortado 97 empregos da sua área editorial no final de 2008, ficando a trabalhar com 80 pessoas. No entanto, vão ser mantidas oito delegações internacionais, uma rede de correspondentes e seis delegações nacionais, excluindo Boston e Washington.

O editor do CSM lamenta que as reduções de pessoal tenham sido duras. “Agora que completámos isso, e estando à beira de uma grande modificação, penso que é um grande entusiasmo sermos os pioneiros”, sublinha.

Estima-se que no final de Abril, as perdas do CSM no seu orçamento anual sejam à volta dos 18,9 milhões de dólares (14,2 milhões de euros), o que vai obrigar a um apoio de 12,1 milhões de dólares (9 milhões de euros) por parte da Primeira Igreja de Cristo, Cientista, que financia a publicação.

O CSM segue-se assim a dois outros jornais centenários americanos que deixaram de ser publicados este ano. Em Fevereiro, fechou o “Rocky Mountain News” de Denver, no Colorado, e em Março, o “Seattle Post-Intelligencer”.

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