A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu hoje, em reunião ordinária, abrir um processo de averiguações ao “caso Mário Crespo” com base nas três queixas que foram apresentadas ao órgão regulador.
Para já não se sabe quais vão ser as diligências que vão ser seguidas neste caso até porque, ao que o PÚBLICO conseguiu apurar, elas não foram discutidas na reunião de hoje, mas é bem provável que todas as pessoas envolvidas no “caso” venham a ser ouvidas, até porque tem sido essa a prática da ER em situações idênticas.
Se assim for, o primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, e o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, terão de ser ouvidos, para além de todos os outros intervenientes, como o próprio jornalista Mário Crespo, o director de Programas da SIC, Nuno Santos, e a colaboradora daquela estação de televisão Bárbara Guimarães.
O “caso Mário Crespo” surgiu a propósito de um artigo que o jornalista escreveu com acusações ao Governo e que o "Jornal de Notícias", onde Mário Crespo escrevia semanalmente, não publicou. A partir daí, Mário Crespo cessou a sua colaboração com o JN. Quando o assunto foi tornado público, foram apresentadas. por particulares, via e-mail, três queixas que solicitam à ERC para que se pronuncie sobre o caso envolvendo o jornalista da SIC.
No artigo de opinião, que Mário Crespo escreveu destinado a ser publicado no "Jornal de Notícias", o jornalista acusava o primeiro-ministro e dois outros membros do Governo de terem falado depreciativamente sobre ele como “um problema que teria de ter solução”. A direcção do jornal entendeu que tinha por base informação obtida através de “práticas noticiosas que o jornal rejeita” (uma conversa ouvida por terceiros num restaurante) a necessitar de “confirmação” e “contraditório, explicou, no próprio jornal, hoje, o director José Leite Pereira.
É bem provável que na reunião de amanhã da ERC o assunto venha novamente a ser abordado até porque na nota emitida no final da reunião de hoje não foi dada nenhuma indicação sobre o supervisor que vai acompanhar este caso.


