Caso Mário Crespo: Conselho de redação do JN aprova decisão do director de não publicar crónica

05.02.2010 - 21:12 Por Lusa
O conselho de redação do "Jornal de Notícias" apoiou a decisão do director de não publicar a crónica de Mário Crespo, na qual o jornalista faz acusações ao Governo, e repudiou todas as referências a censura.
“Todos os membros [do conselho de redação] eleitos presentes manifestaram concordância com a opção tomada pela direcção, ao confrontar Mário Crespo com as dúvidas que a publicação do artigo em causa suscitava e, depois, ao não publicá-lo, em harmonia com o que terá sido a vontade expressa do autor”, refere em comunicado hoje aprovado.
No documento, os membros eleitos (o conselho de redação inclui o director, mas este é membro por inerência) sublinham que “este procedimento não configura qualquer acção de censura”, rejeitando “todas as referências que, desde a passada segunda-feira, deram a entender que o trabalho dos jornalistas do JN poderá ser condicionado directamente por agentes externos, políticos, económicos ou empresariais”.
Para este órgão de representação dos jornalistas daquele título, o texto em causa “obedecia a um conceito que (...) não corresponde à prática corrente em Portugal, designadamente no Jornal de Notícias: fazer de um espaço de opinião pessoal veículo para notícias em primeira-mão, como seria, no caso, a alegada perseguição movida ao autor por altas figuras do Estado”.
Como “o jornal não estava em condições de verificar e escrutinar em tempo útil a informação veiculada pelo artigo”, a publicação da crónica poderia provocar um processo judicial ou cível contra o director ou, pelo menos, ser acusado de falta de ética.
O conselho de redação defende ainda que o dever do JN de noticiar todo “o ‘alarme social’ desencadeado por esse assunto” suscita dúvidas e “deverá ser motivo de reflexão”.
O artigo de Mário Crespo, que não saiu na sua habitual coluna à segunda-feira no JN mas foi publicado no site do Instituto Sá Carneiro, acusa membros do Governo de terem falado depreciativamente sobre ele classificando-o como um problema, durante um almoço realizado em Lisboa.
O caso já levou a Entidade Reguladora para a Comunicação Social a abrir um processo de investigação.

