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Defesa de Manuel Abrantes pede a sua absolvição

Casa Pia: tribunal volta a ouvir aluno que terá sido abusado por Ferreira Diniz

06.01.2009 - 18:00 Por Lusa

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A defesa de Manuel Abrantes diz que os depoimentos ouvidos em tribunal não foram credíveis A defesa de Manuel Abrantes diz que os depoimentos ouvidos em tribunal não foram credíveis (Rui Gaudêncio (arquivo))
A juíza que preside ao julgamento do processo Casa Pia anunciou hoje que o tribunal vai ouvir um dos alunos que diz ter sido abusado pelo médico Ferreira Diniz. Na sessão de hoje, o advogado Manuel Abrantes concluiu as alegações finais, voltando a pedir a absolvição do ex-provedor da instituição.

A juíza Ana Peres explicou que a testemunha vai ser ouvida apenas para clarificar que tipo de abusos sexuais foram alegadamente cometidos na chamada “Casa dos 'R's’”, no Restelo: “quem fez o quê a quem”, explicou, adiantando que estas informações não estão claras no despacho de pronúncia.

Em declarações aos jornalistas, Miguel Matias, advogado das alegadas vítimas, disse acreditar que a audição deve ocorrer amanhã, após as alegações finais da defesa do embaixador Jorge Ritto, e considerou que será “importante para esclarecer dúvidas”.

“Se as respostas forem adidas ao processo como entendemos, poderão determinar a existência ou não de certos crimes”, explicou.

Defesa pede absolvição de ex-provedor

Já durante a tarde, a defesa de Manuel Abrantes terminou as suas alegações finais, tendo reiterado o pedido para que o ex-provedor seja absolvido de todos os crimes de que está acusado. Paulo Sé e Cunha disse que, com as alterações dos factos surgidas durante o julgamento, o despacho de pronúncia é agora "um borrão absolutamente imperceptível”.

“O ponto de chegada no fim de produção de prova já não tem nada a ver” com a pronúncia inicial, afirmou, sublinhando que “as dezenas de acusações iniciais foram reduzidas a meia dúzia pelo Ministério Público nas suas alegações finais” – um sinal de que “a credibilidade de depoimento não é suficiente, nem serve de prova para coisa nenhuma”. É preciso “tirar consequências disso”, insistiu.

Reiterando que “o objectivo da defesa é a absolvição”, Paulo Sá e Cunha ressalvou que os crimes contra crianças devem ser punidos, mas destacou que a “histeria de massas” contra possíveis pedófilos também deve ser evitada.

O Ministério Público considerou como provados 16 crimes contra Manuel Abrantes (15 de abuso sexual e um de peculato de uso), dos cerca de meia centena que constam do despacho de pronúncia.

O julgamento do processo da Casa Pia está a decorrer no Tribunal de Monsanto, em Lisboa. No banco dos réus sentam-se ainda o ex-motorista da instituição Carlos Silvino, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o advogado Hugo Marçal, o embaixador Jorge Ritto e Gertrudes Nunes, dona de uma casa em Elvas onde alegadamente foram abusados os menores casapianos.

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começava a acreditar...

Quando Socrates iniciou o seu reinado pensei que tudo ía mudar, que as injustiças iriam acabar, que ...

Anónimo

07.01.2009 16:47