Casa Pia: jornalista pronunciada por violação do segredo de justiça recusa acusação

21.04.2009 - 17:26 Por Lusa
Uma jornalista pronunciada por violação do segredo de justiça no caso Casa Pia recusou hoje, perante o Tribunal Criminal do Bolhão, Porto, a prática de tal crime, assegurando que as peças produzidas resultaram de uma investigação jornalística autónoma.
"Não tive qualquer contacto directo com o processo nem com pessoas que estavam vinculadas ao segredo de justiça neste processo", afirmou Tânia Laranjo, assegurando que as suas informações foram obtidas numa "investigação própria" e a partir de "várias fonte" não vinculadas ao dever de reserva.
A jornalista atribuiu mesmo algumas imprecisões pelo menos da primeira notícia ao facto de não ter tido acesso às cartas anónimas. O co-arguido no processo Carlos Tomás optou, "para já", pelo silêncio.
Carlos Tomás, do “Jornal de Notícias”, e Tânia Laranjo, que à data dos factos trabalhava na mesma publicação, estão a ser julgados por assinarem duas peças, uma publicada a 01 de Janeiro de 2004 e outra no dia seguinte, sobre "duas denúncias sem rosto" que visavam o antigo Presidente da Republica Jorge Sampaio e um comissário europeu (António Vitorino) e que tinham sido anexadas ao processo, "embora a lei o proíba".
Num primeiro texto, assinado pelos dois jornalistas, referia-se que João Guerra, o magistrado que investigou o processo Casa Pia, anexou ao inquérito duas cartas anónimas, que o próprio considerou não terem qualquer relevância. "As cartas não podiam estar ali, a qualquer título", referia depois o JN, citando vários juristas que contactou.
No dia seguinte, o jornal referia, em título, que a Procuradoria não explicara junção de cartas anónimas ao processo Casa Pia e avançava novas reacções de condenação à anexação da missiva ao processo.
Tânia Laranjo explicou que o objectivo das notícias nunca foi a divulgação do conteúdo das cartas anónimas mas apenas questionar, com o apoio de testemunhos de diversos especialistas, se as missivas deveriam ter sido anexadas ao processo, tanto mais que eram consideradas pelos titulares do inquérito como irrelevantes. Recusou ainda qualquer ideia de difamar o então Presidente da República ou causar-lhe qualquer embaraço.
No seu depoimento, a jornalista recordou que o Tribunal de S. João Novo, no Porto, absolveu recentemente 16 jornalistas acusados de violação do segredo de justiça na cobertura do caso Casa Pia. A meio da tarde o tribunal estava a ouvir, por videoconferência, João Guerra, um dos procuradores do processo Casa Pia.
O procurador disse que um dia antes da primeira notícia o processo foi consultado por um advogado para ver as cartas. João Guerra garantiu que não foi ele quem juntou as cartas ao processo e que, por isso, a notícia é falsa.

