As emissoras BBC e Sky anunciaram que não vão difundir um apelo de recolha de fundos para a Faixa de Gaza, apesar das crescentes pressões políticas e públicas para que o façam.
O director da estação pública britânica, Mark Thompson, defendeu a sua posição afirmando que isso iria pôr em causa a imparcialidade da estação.
Paralelamente, a Sky News – menos pressionada, por ser privada – indicou que o apelo, da responsabilidade do Comité de Emergência para as Catástrofes – que reagrupa diversas ONG, incluindo a britânica Oxfam –, é “incompatível” com o papel de “objectividade” que é esperado da emissora.
“O conflito em Gaza constituiu um dos temas mas difíceis e mais disputados que um media teve que cobrir”, indicou o director da Sky. “O nosso compromisso, enquanto jornalistas, é cobrir todos os aspectos acerca de determinado evento, com uma objectividade intransigente”.
Por seu lado, o chefe de redacção da Sky News, Adrian Wells, sublinhou que “enquanto cadeia internacional, a Sky deverá concentrar-se no seu papel principal: cobrir o tema, evitando tornar-se um actor”.
A Sky News tinha considerado passar o pequeno filme-apelo do Comité de Emergência para as Catástrofes, mas tomou a decisão de o não passar em solidariedade com a BBC, a poucas horas de este ser difundido na ITV e nos canais 4 e 5 (Channel 4 e Channel Five).
Esta polémica ocorre depois de a BBC já ter sido criticada pelas organizações pró-palestinianas britânicas pela sua cobertura do conflito em Gaza, considerando-a demasiado favorável a Israel.
Ontem, o chefe da Igreja Anglicana, Rowan Williams, e cerca de 50 deputados, apelaram à BBC que voltasse atrás com a sua decisão, que também já provocou o protesto de mais de 10 mil espectadores.
Noutras ocasiões, a BBC já tinha transmitido apelos semelhantes por parte do mesmo comité, com o objectivo de se recolher dinheiro para emergências internacionais, mas a estação pública também já se recusou, em 2006, a apresentar duas campanhas do comité. A primeira tinha a ver com a fome em África e a BBC reusou-se a difundir o apelo indicando que seria muito difícil os fundos chegarem aos seus destinatários. A segunda - que tinha como objectivo reunir fundos para as vítimas do conflito entre Israel e o movimento radical libanês Hezbollah - foi igualmente recusada por não garantir à estação a "imparcialidade" que se espera do serviço público britânico.


