Estão a espalhar-se pela Internet várias formas de contornar a nova barreira de pagamentos que o NY Times está a testar no Canadá e que vai lançar no dia 28 para o resto do mundo.
O novo modelo de cobrança de conteúdos permite um máximo de 20 visualizações gratuitas por cada pessoa. Mas o próprio jornal estabeleceu excepções, que estão a ser exploradas.
Para evitar perder o tráfego das redes sociais, os artigos acedidos a partir de um link no Twitter ou no Facebook não contam para o limite imposto. E já houve quem criasse um sistema (algo que é tecnicamente simples) para publicar automaticamente todos os artigos do NY Times no Twitter, permitindo assim a qualquer pessoa aceder gratuitamente.
Os responsáveis do NY Times pediram entretanto ao Twitter para apagar esta conta (por ora, a conta permanece funcional). Porém, mesmo que seja apagada, nada impede qualquer cibernauta de criar uma conta semelhante, em que todos os artigos são publicados. O NY Times já disse que estaria atento a estes casos.
Por outro lado, e pelo que alguns cibernautas do Canadá já divulgaram, a barreira do NY Times não é forte do ponto de vista técnico. Quando alguém chega a uma página e já ultrapassou o limite dos artigos grátis, o texto é mostrado, mas a página é escurecida e surge sobreposto ao artigo um pedido de subscrição.
Este é o tipo de sistema que é tecnicamente simples de contornar. Já houve quem desenvolvesse uma pequena funcionalidade, que pode ser instalada em qualquer browser, e que, com um clique, remove os elementos que cobrem o artigo e impedem a leitura.
Um outro script (é o nome dado a este tipo de código informático) pode ser instalado em vários browsers modernos e funciona de forma semelhante ao sistema anterior.
Citada por um blogue da revista Forbes, uma porta-voz do NY Times deu a entender que nada será feito para eliminar esta vulnerabilidade: “Tal como dissemos antes, como acontece com qualquer produto pago, esperamos que haja uma percentagem de pessoas que consiga encontrar formas de contornar as nossas subscrições digitais. Vamos continuar a monitorizar a situação, mas não planeamos mudanças na programação ou na estrutura da barreira para o lançamento global a 28 de Março”.
O director do Laboratório Nieman de Jornalismo, na Universidade de Harvard, teoriza que as vulnerabilidades técnicas da barreira podem ser intencionais. Segundo Joshua Benton, o tipo de utilizadores que têm conhecimentos suficientes para contornar um sistema deste género são os mesmos que provavelmente não estariam dispostos a pagar por notícias online – e, assim, é preferível deixá-los ver mais de 20 artigos e mostrar-lhes os correspondentes anúncios publicitários.


