Balsemão diz que há nos media quem tenha "metido o jornalismo na gaveta"

23.11.2011 - 20:35 Por Maria Lopes
Francisco Pinto Balsemão, patrão da SIC e da Impresa, disse hoje que nos últimos tempos houve "falsos empresários de comunicação social" que "meteram o jornalismo na gaveta".
Falando no Congresso das Comunicações da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), Balsemão fez a apologia do "jornalismo autêntico, não conspurcado, livre, profissional", fundamental, “mais do que nunca, em plena crise”. E deixou fortes críticas, sem nunca dizer nomes, ao afirmar que surgiram nos últimos tempos, no panorama mediático, “iniciativas de todo o tipo, algumas espúrias, outras de um arrivismo confrangedor”.
“Como no tempo do salazarismo, continuam a existir políticos e empresários ou candidatos a empresários que julgam que os media podem e devem ser meros instrumentos a utilizar para a prossecução dos seus interesses económicos ou de influência”, apontou o patrão da SIC. Comparando a situação actual ao “tempo do salazarismo”, disse que “continuam a existir políticos e empresários ou candidatos a empresários que julgam que os media podem e devem ser meros instrumentos a utilizar para a prossecução dos seus interesses económicos ou de influência”.
Daí que se criem alianças “estranhas”, em que os políticos se colocam no papel de empresários da comunicação forçando, a seu bel-prazer a publicação ou não de notícias, entrevistas, artigos de opinião e até aberturas de telejornais. Ao passo que os “falsos empresários da comunicação social vendem, por acção ou omissão, o apoio dos media que controlam a quem está no poder, em troca de favores noutras áreas”. “Tudo isto passando ou tentando passar por cima dos jornalistas, embora, como no tempo do salazarismo, com a colaboração activa de alguns. Tudo isto metendo o jornalismo na gaveta.”
Balsemão não tem dúvidas: “Quem pensa e actua assim está a mais na área dos media.” Por isso, “hoje, mais do que nunca, em plena crise, o jornalismo autêntico, não conspurcado, livre, profissional, é fundamental”.
O dono de títulos como o Expresso e a Visão sabe do que fala: admite que já foi pressionado “por anunciantes e por accionistas”, por políticos da sua e de outras cores. Por isso alerta: “Sem meios de comunicação social profissionais capazes, independentes, a crise não será ultrapassada.” Uma crise que não é apenas económico-financeira, mas também – e sobretudo – social.

