A New York Times Company, que detém o “New York Times” e o “Boston Globe”, anunciou que já não vai fechar o centenário diário de Boston. Mas quer vendê-lo. E aceita a melhor proposta. Entretanto anunciou que vai cortar o salário dos trabalhadores em 23 por cento. Para a direcção do jornal o corte é de cinco por cento.
Segundo publicou ontem nas suas próprias páginas o “Globe”, a empresa detentora do título encarregou o banco Goldman Sachs de mediar o processo com eventuais candidatos a compradores. E espera que as propostas apareçam nas próximas semanas.
O jornal adianta ainda que o rumor de que a empresa queria vender o jornal paira desde que começaram as negociações com os sindicatos de trabalhadores para tentar reduzir os custos com a massa salarial e regalias dos trabalhadores, em Abril passado. O objectivo seria emagrecer os custos do jornal para o tornar mais apetecível a um possível comprador. Nem a New York Times Company nem os directores do jornal quiseram comentar a notícia.
Entretanto a intenção de reduzir as despesas, a começar pelo salário dos jornalistas, continua em cima da mesa. O Boston Globe adianta hoje que a redução salarial de 23 por cento, que não foi aceite pelo Boston Newspapers Guild, o sindicato que representa a maior percentagem de trabalhadores, seria para aplicar já para a próxima semana. Para os jornalistas, citados na peça do “Globe”, há um “problema de justiça”, pelo menos, na proposta, uma vez que a direcção, segundo a proposta, só sofreria uma redução salarial de 5 por cento. “Se encontrarem um meio termo justo entre uma situação e outra decerto que a proposta será melhor acolhida”, sugeriu o sindicato.
A novela continua: será que vai haver uma nova contraproposta de cortes salariais? Será que finalmente Arthur Sulzberger, administrador da New York Times Company vai visitar a redacção do “Boston Globe” e explicar o plano de redução de custos aos trabalhadores, conforme foi pedido pelos próprios? Será que o jornal vai ser vendido? E será que vai ser encontrado comprador?


