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Reunião aconteceu hoje

Acordo PT-TVI quase concluído, José Eduardo Moniz fica na estação

25.06.2009 - 21:31 Por Luciano Alvarez, Natália Faria, com Samuel Silva e Sofia Rodrigues

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O acordo para a entrada da PT na Media Capital, que detém a TVI, está praticamente concluído, mas não assinado, e José Eduardo Moniz continuará como director-geral da estação de televisão.
Há administradores do grupo que consideram que Moniz é um activo com um valor incomparável Há administradores do grupo que consideram que Moniz é um activo com um valor incomparável (Rui Gaudêncio (Arquivo))

Estas foram as duas principais revelações de uma reunião que teve lugar hoje entre os administradores da Media Capital e da Prisa, na qual esteve presente Manuel Polanco, que já esteve na Media Capital e agora está na empresa mãe, em Madrid, e que teve também a participação de outros homens fortes do grupo via vídeo-conferência a partir de Espanha.

Segundo apurou o PÚBLICO junto de fontes do grupo, uma eventual saída de José Eduardo Moniz foi discutida nos últimos dias, mas os administradores entenderam agora não haver condições para a saída de Moniz.

Para esta decisão pesaram as declarações de José Sócrates ontem no Parlamento que, numa resposta irónica a Diogo Feio, quase deu a entender que ia haver mudanças de pessoas e de linha editorial na TVI; as críticas de Ferreira Leite, que considerou que seria escandaloso se Moniz saísse na sequência de uma entrada da PT no capital da empresa; e o alerta de hoje do Presidente da República que pediu transparência e ética no negócio.

Há também administradores do grupo que consideram que Moniz é um activo com um valor incomparável na empresa e o principal responsável pelo êxito financeiro e de audiências da TVI, pelo seria errado dispensá-lo.

O PÚBLICO tentou várias vezes contactar José Eduardo Moniz, mas o director-geral da TVI não respondeu às chamadas telefónicas.

Ao início da noite, o director executivo da PT, Zeinal Bava, foi à RTP negar a existência de qualquer acordo. "Estamos em negociações, já estudámos vários cenários, contudo não há nenhum acordo, nenhum negócio". Segundo Bava, a PT foi obrigada a comunicar a existência de negociações à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) porque "houve uma fuga de informação". Quanto ao interesse específico em 30 por cento das acções a troco de 150 milhões de euros, "são especulações de mercado", segundo disse, para repetir mais tarde: "Não há negócio, não há acordo, não há valor".

No comunicado endereçado à CMVM cerca das 16h20, a MC informa que a Prisa "mantém actualmente negociações" com a PT "para a definição de uma aliança que reforce as posições competitivas das ditas empresas". Mais à frente, a CM sublinha que o acordo entre a Prisa e a PT "inscreve-se exclusivamente num enquadramento de mútuo interesse empresarial", além de "se garantir assim a entrada de uma importante empresa portuguesa na estrutura accionista da Media Capital".

Esta alusão pode ser entendida como uma resposta ao Presidente da República. Horas antes, em Guimarães, Cavaco tinha exortado os responsáveis da PT a explicar o negócio. "Face às dúvidas fortes que estão instaladas na sociedade portuguesa, é importante que os responsáveis da empresa expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI", apelou Cavaco, invocando "questões de transparência" para intervir: "Em princípio, não faço declarações públicas sobre negócios das empresas, mas entendo que neste caso devo abrir uma excepção pela natureza do sector que está em causa".

Citado no mesmo comunicado enviado à CMVM, Moniz mostra-se menos contundente, referindo-se antes a uma "eventual associação" da TVI a uma empresa de telecomunicações. Diferenças semânticas à parte, Moniz reconhece que tal associação "pode proporcionar a uma estação de televisão líder a abertura de novas oportunidades para a geração de conteúdos e o alargamento da sua capacidade de oferta". Mas, volta a ressalvar, "numa perspectiva estrita de negócio".

No plano partidário, Manuela Ferreira Leite voltou ontem a referir-se ao assunto, dizendo estranhar como é que o Governo pode alegar desconhecimento de um negócio que a própria PT comunicara à CMVM na terça-feira. "Era necessário investigar quem foi o funcionário sem responsabilidade que fez comunicações à CMVM sobre essa matéria", ironizou. Mas, do lado do PS - e já depois de Henrique Granadeiro ter garantido que a PT não falou com o accionista Estado -, o ministro da presidência, Pedro Silva Pereira, manteve que o Governo de nada sabia.

O CDS-PP, por seu turno, quer chamar o ministro Mário Lino ao Parlamento para dar explicações sobre o negócio. "A que título participações do Estado que envolvem acções douradas e participações da Caixa Geral de Depósitos na PT podem servir para o Estado por via indirecta comprar uma televisão quando já tem uma?", questionou Diogo Feio.

A ligação entre o negócio da PT e a linha editorial da TVI feita por Sócrates também foi notada pelo líder do BE, Francisco Louçã, para quem a operação "devia ser recusada", porque "é prejudicial ao interesse público e é asfixiar o país nas suas liberdades mais importantes". Na mesma linha, Jerónimo de Sousa, do PCP, pediu explicações sobre o alegado desconhecimento de Sócrates e diz que seria perigoso se houvesse um ajuste de contas com Moniz, "tendo em conta o conflito editorial latente".

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