AACS: corte de publicidade do Espírito Santo na Impresa constitui tentativa de pressão

08.09.2005 - 22:36
A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) considera que a decisão do Grupo Espírito Santo (GES) de cortar a publicidade na imprensa do grupo Impresa constitui uma tentativa de pressão.
Na mesma deliberação, o organismo que regula os media critica o “Expresso”, considerando que o semanário “não acolheu o contraditório” quando elaborou as notícias sobre o escândalo de corrupção no Brasil (conhecido como “mensalão”), apesar de ter "informação que lhe havia sido fornecida a tempo pelo grupo financeiro".
No comunicado enviado à Lusa, a AACS refere que "a decisão do G ES de cortar a sua publicidade em todos os títulos da Impresa (...) constitui (. ..) uma tentativa de pressão que acaba por desrespeitar o sentido do constitucional e legalmente estabelecido quanto à independência dos órgãos de comunicação social perante o poder económico".
A situação analisada remonta a Julho passado, quando o Espírito Santo acusou a 'holding' de Francisco Pinto Balsemão de estar a desenvolver uma campanha de "notícias falsas" para forçar o grupo a aumentar os investimentos publicitários naquele grupo.
Dias antes, o “Expresso” tinha publicado um artigo que envolvia o grupo financeiro no escândalo do "mensalão" e que, de acordo com o GES, continha informações "fantasiosas e falsas e que já tinham sido formalmente desmentidas ao Expresso".
Em consequência, o GES anunciou um corte de todas as operações e relações comerciais com o grupo editorial, nomeadamente através do corte de publicidade, o que a AACS condena.
Mas a AACS considera também que o “Expresso” "deveria ter procurado enquadrar com mais precisão (...) as posições do GES", acrescentando que, na sua edição de 9 de Julho, o jornal "não acolheu o contraditório a propósito do alegado envolvimento do GES em operações definíveis como controversas”
O organismo regulador desenvolveu, por iniciativa própria, o processo de análise ao diferendo entre o GES e a Impresa, que, além do “Expresso”, detém títulos como a Visão, a Caras, a Exame e a televisão SIC, tendo sido consultados responsáveis de ambas as partes.

