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A internet é a nova aliada do sector

A cada público a sua rádio

04.08.2010 - 15:26 Por Nuno de Noronha

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A rádio nacional faz hoje 75 anos. A rádio nacional faz hoje 75 anos. (Foto: Adriano Miranda/PÚBLICO)
A rádio nacional faz hoje 75 anos e em 75 anos muito mudou. Das playlist à informação, de uma rádio de massas à rádio que trabalha cada vez mais para nichos de ouvintes, especialistas, jornalistas e locutores lançam pistas sobre o futuro.

"Rádio é informação, cultura e prazer transformados em emoção ao pé do ouvido." Palavras de Júlio Isidro, apresentador e locutor que este ano celebra 50 anos de carreira, para quem, em plena era da imagem, a rádio só sobrevive, se for mais de "autor" e de "palavra" e menos de playlist, até porque "para isso já existem os leitores de mp3".

Os tempos são outros e a rádio já não é o que era. Primeiro foi telefonia sem fios e pretendia ser um complemento do telégrafo, sobretudo para fins militares. Depois, tornou-se um meio de difusão política. A ideia para estabelecer comunicação, atribuída muitas vezes a Marconi, foi produto de vários cérebros, como Maxwell, Hertz e Branly. Os nomes, alguns, talvez já tenham caído no esquecimento, mas a rádio não. Rapidamente se adaptou à sociedade. Ou foi a sociedade que se adaptou a ela.

Nos anos 20 era um produto de elites, escutada através de receptores, grandes e dispendiosos. Na Segunda Guerra Mundial foi instrumento ao serviço do poder - fonte de informação, arma de propaganda, veículo de manipulação e até órgão de resistência. E se nos anos 50 ganhou mobilidade e leveza com o aparecimento do transístor (um componente electrónico), hoje ouve-se em qualquer lado. Depois do carro, a rádio está nos telemóveis, leitores de mp3 e iPods.

As estações de emissão também encontraram o seu espaço nos novos tempos: com a Internet, ultrapassaram os anos difíceis em que a imagem seduzira audiências. Hoje, a rádio também produz imagem e vídeo.

Adelino Gomes, jornalista e até recentemente provedor do Ouvinte da Radiodifusão Portuguesa (RDP), assegura que a rádio foi o meio que melhor se adaptou ao novo paradigma da Internet. "Eu não tenho tendência para resistir à novidade, como se fosse inimiga do velho. O que já existe deve, pelo contrário, incorporar-se e enriquecer-se." O jornalista lamenta como a estratégia da playlist (selecção predefinida de música) se entranhou no sector e deixa pistas para o futuro: evitar o facilitismo e manter a vocação da comunicação de palavra, "porque aquilo que ficou na história da rádio foram os momentos de palavra e de comunicação".

Para Luís Montez, antigo director da Rádio Comercial e agora proprietário das rádios Radar, Oxigénio, Capital e Amália, a Internet trouxe a capacidade de medir em tempo real o número de ouvintes. "Sabemos onde estão, quando nos ouvem e percebemos porque nos ouvem." E tem ainda a vantagem de poupar na quantidade de informação: "Já não é preciso explicar como funcionam passatempos e eventos. Remete-se para a Internet." Conclui: "A Web foi uma bênção."

Palavra e música

João Carlos Callixto, investigador do Centro de Informação da Música Portuguesa e Colaborador do Departamento de Arquivo da RTP (ver caixa), acredita que o futuro da rádio passa, sobretudo, por "um compromisso inteligente entre a palavra e a música". "As pessoas identificam-se com vozes, pessoas e personalidades. Continuamos a conhecer os senhores da rádio. Queremos ouvi-los."

Enquanto Luís Montez lembra que a magia da rádio é criar sensações a partir de poucas palavras -"pode dizer-se em poucas palavras muito mais do que em discursos e teses de doutoramento" -, já Isidro discorda. "As leis da comunicação ditam, cada vez mais, que se escreva pouco, que se fale pouco. Isto é contranatura, é o contrário daquilo que é o projecto de comunicação", comenta o locutor. "O futuro da rádio tem de passar pela palavra", conclui.

Rogério Santos, investigador, blogger e professor na Universidade Católica, tem uma ideia diferente sobre o destino da rádio. "O desafio passa por arranjar novos públicos. Pessoas capazes de fazer rádio a partir de casa e que vão trabalhar ao nível do broadcasting e desenvolver programas on-line." O tempo dos ouvintes passivos está a terminar.

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