"A Bola" recorre à justiça para resolver problemas levantados pelo FC Porto aos seus jornalistas

03.02.2010 - 20:34 Por Lusa
O jornal A Bola vai “recorrer a todas as instâncias oficiais, incluindo judiciais”, para resolver o que cataloga como “persistentes problemas” sentidos pelos seus profissionais que tentam trabalhar nas instalações do FC Porto, disse à Lusa o director Vítor Serpa.
“O futebol não é um ‘far west’ em que um xerife faz o que bem lhe apetece. Vivemos num estado de direito e o futebol não é um mundo à parte, não tem leis próprias”, criticou Vítor Serpa.
Em causa está o alegado impedimento de uma equipa de reportagem daquele diário desportivo trabalhar terça-feira no FC Porto-Sporting, à semelhança do que tem acontecido nas conferências de imprensa e ‘super-flash’ de antevisão aos jogos dos ‘dragões’.
“Na sequência das cada vez maiores dificuldades que o FC Porto tem colocado aos nossos jornalistas, deparámo-nos com uma situação extrema que o clube não quis resolver. Deram-nos uma desculpa absurda. Mandaram o funcionário do clube dizer que um jornalista de Lisboa acreditado para o jogo tinha levantado as credenciais às 10h30, quando a essa hora ele ainda estava em Lisboa”, começou por contar.
Vítor Serpa disse que, “quando [os jornalistas] perguntaram pela assinatura de quem levantou as credenciais, havia apenas uma cruz na frente dos nomes de A Bola, "muito significativa”.
“A única coisa que fizemos foi respeitar os milhares de leitores e dar toda a informação que seria de esperar. Naturalmente que A Bola vai recorrer a todas as instâncias oficiais, incluindo judiciais, para que seja reposta pelo menos no canto do país a legalidade democrática”, vincou.
Vítor Serpa diz que os profissionais do jornal chamaram as autoridades, “que não podem fazer muito nestas circunstâncias, limitando-se a tomar nota da ocorrência” e que nem a responsável da federação conseguiu desbloquear a situação: “É uma descriminação abominável e inaceitável”.
O director de A Bola reconhece que ao longo dos anos o jornal tem sentido problemas com os três ‘grandes’, destacando o período de Vale e Azevedo no Benfica e, em menor escala, também com o Sporting, “um clube com maior sentido de urbanidade, civismo e cidadania”.

