José Manuel Guimarães vem pela primeira vez à Vivacidade, atraído pelo curso de Escrita Criativa, que arrancou na semana passada. José Manuel é ilusionista e engenheiro na reforma. António Fernandes é docente e também fez carreira na engenharia, mas agora tem quatro livros arquitectados. "Um deles é o Abel, para chatear o Saramago", conta entusiasmado.
José Manuel pretende, com esta formação, adquirir ferramentas que lhe permitam aumentar o interesse dos textos que escreve para apresentar os seus números de ilusionismo. António quer ser capaz de escrever de forma mais linear, pois acha que os textos tendem a sair-lhe "em caracol".
O Vivacidade, espaço cultural, recreativo e de convívio, no Porto, foi criado precisamente com o objectivo de estimular a formação pessoal e despertar talentos num contexto de partilha. Adelaide Pereira criou o conceito por achar que a oferta cultural estava demasiado fragmentada. Partindo da ideia de combinar diferentes áreas, e com o apoio de Helda Miranda, Adelaide montou o espaço criativo, que entrou em funcionamento a 2 de Maio deste ano. Desde essa altura, a casa ganhou projecção através do seu sítio na Internet, das notícias na imprensa e, sobretudo, do "passa-palavra".
Por 40 euros mensais, quem quiser tornar-se cliente tem à disposição um espaço com jornais e uma biblioteca, café e água e tardes preenchidas com palestras e visitas guiadas. Para usufruir de todas as potencialidades do Vivacidade, é preciso ter tempo, daí que o público seja essencialmente constituído por reformados e pré-reformados.
O acesso faz-se pelas traseiras de um edifício da Rua Alves Redol, a sinalização é quase inexistente e as obras nos edifícios circundantes não convidam os transeuntes a tentar descobrir o espaço. Adelaide Pereira tem, no entanto, justificação pronta para o recato das instalações. Diz que os clientes querem evitar estar demasiado expostos, seja para ler o jornal, conversar ou apresentar os seus projectos.
De facto, muitas das iniciativas levadas a cabo pelo Vivacidade nascem das propostas de frequentadores do espaço que nunca tinham tido oportunidade de os concretizar ou de os mostrar ao público - muitas vezes pelo receio de que os trabalhos não tivessem qualidade. É o caso da exposição de pintura que, neste momento, decora as pareces da sala de convívio, da autoria de um frequentador da casa. O próprio curso de Escrita Criativa nasceu do interesse manifestado pelos clientes. "As pessoas têm um interesse, colocam a ideia e nós trazemos os meios", sintetiza Adelaide Pereira.
Os jovens também acabam por aderir às actividades pontuais. O workshop de Escrita Criativa é um exemplo disso. Entre os formandos, há estudantes, trabalhadores e reformados. Uns vêm experimentar técnicas de escrita, outros já trazem na bagagem livros editados.
Ensemble Trilogia
Um dia, Adelaide Pereira quis proporcionar um momento musical aos seus clientes. Contactou, para isso, uma estudante da ESMAE que conhecia e ficou este ano em 2.º lugar no Concurso Internacional de Clarinete que decorreu na Casa da Música. Sara Araújo, a estudante, convidou dois colegas da ESMAE para a acompanharem: Margarida Costa, soprano e aluna do curso de Canto; e Ricardo Caló, pianista profissional, com alguns prémios no currículo. Nasceu assim o ensemble Trilogia, que continua a actuar no Vivacidade.


