Utentes do hospital de Tomar fazem vigília contra encerramento parcial das Urgências Pediátricas

19.06.2006 - 23:27
Pelo menos duas centenas de pessoas concentraram-se hoje, em vigília, em frente ao hospital de Tomar, em protesto contra o encerramento parcial das Urgências Pediátricas, decidido pela administração.
A decisão de encerramento da unidade de internamento pediátrico do hospital de Tomar foi tomada pela administração do Centro Hospitalar do Médio-Tejo (CHMT), mas os utentes reclamam a manutenção do serviço em pleno funcionamento.
Para Manuel José Soares, porta-voz da Comissão de Utentes do CHMT, as urgências pediátricas com internamento constituem uma "valência básica de serviço público" que qualquer hospital deve ter.
O CHMT integra os hospitais de Tomar, Abrantes e Torres Novas, mas a falta de pessoal e de serviço tem levado a administração a concentrar serviços e a diminuir a oferta de valências em cada unidade.
Esta noite, a comissão organizou uma vigília no espaço em frente ao hospital, empunhando faixas onde se podia ler "Pela manutenção da Urgência Pediátrica nos três hospitais do Centro Hospitalar", "Contra o fim da pediatria" ou "Ter pediatria é um direito da criança".
A acção de protesto, que não inclui discursos nem palavras de ordem a pedido do Governo Civil, contou com a solidariedade de juntas de freguesia e associações de pais que se sentem prejudicadas com a decisão da administração.
"A administração diz que esta decisão se insere na reorganização do centro hospitalar" mas até ao momento "ainda não foi ouvida a comunidade local", acusou Manuel José Soares.
"Na quarta-feira, pedimos uma reunião urgente à administração", mas se esta não quiser receber a comissão, os populares prometem "fazer plantão em frente da sede", em Torres Novas, até serem ouvidos. "Não sabemos porque é que não se discutem as alterações com utentes e com autarcas", desabafou Manuel José Soares.
Até ao momento, foram recolhidas mais de 17 mil assinaturas para um abaixo-assinado onde se defende a manutenção das Urgências Pediátricas em cada um dos hospitais que compõem o CHMT.
Em carta enviada anteriormente ao ministro da Saúde, o movimento popular "Pela Urgência Pediátrica no Médio-Tejo" considera "indispensável a articulação entre os diversos prestadores de cuidados de saúde", rejeitando liminarmente qualquer decisão de encerramento das Urgências Pediátricas numa das unidades.
O sobredimensionamento do CHMT face à população que serve é, para a comissão de utentes, um problema que deve ser resolvido, não através do fecho de serviços, mas do apoio complementar a outros hospitais da Grande Lisboa.

