Os cerca de 400 trabalhadores da cadeia de supermercados algarvios Alisuper, grupo Alicoop, além de terem perdido o emprego, arriscam-se a ter, também, de "responder individualmente" por um empréstimo bancário, no valor de um milhão de euros, contraído pela empresa.
Os resultados de uma reunião de credores, realizada anteontem, deitou por terra as últimas esperanças de salvação deste grupo empresarial. "A Caixa Geral de Depósitos mantém-se irredutível" em não viabilizar o plano de recuperação, disse o administrador José António Silva ao PÚBLICO, admitindo que a "situação é mesmo muito grave". E as lojas que ainda se mantêm abertas "vão começar a encerrar dentro de dias".
Em termos sociais, a situação mais difícil é a dos trabalhadores. Há cerca de três anos, subscreveram um aumento de capital da Alicoop, proporcional aos salários que auferiam - uma operação que viabilizou um pedido de empréstimo de um milhão de euros e funcionou como paliativo para o grupo empresarial.
Só que, agora, são também responsáveis pela dívida: "Naturalmente, terão de responder individualmente [pelo empréstimo], mas isso é uma questão jurídica", diz o administrador, reconhecendo, a "delicadeza" de um problema de "contornos indefinidos". Para a próxima segunda-feira está marcado um plenário de trabalhadores para decidir que medidas irão ser tomadas.
Credores em risco
Joaquim Tinoco, armazenista de bebidas, em Ferreiras (Albufeira), credor de cerca de 400 mil euros, foi quem pediu a insolvência da Alicoop, em Setembro de 2009. "Quero passar uma esponja sobre o assunto", comentou, quando interpelado pelo PÚBLICO sobre o que esperava que viesse a acontecer. "Quero esquecer - não sou rico, mas também não sou pobre", justificou, recusando-se a prestar mais esclarecimentos.
Da parte dos fornecedores e credores, a quem o grupo deve à volta de 80 milhões de euros, as perspectivas são igualmente negras. "Poderão perder tudo", diz José António Silva, admitindo que a situação é dramática.
Este responsável perdeu o optimismo que vinha a manifestar nos últimos três meses, acreditando que seria possível viabilizar a empresa: "Está-se a destruir tudo", desabafou. O representante da comissão de trabalhadores, José Carlos Parreiro, por outro lado, acrescenta: "Vive-se um clima de angústia."


