O Tribunal de Vila Nova de Famalicão condenou hoje o cabecilha do chamado "gang" do Minho a 14 anos de prisão, em cúmulo jurídico, por mais de uma dezena de assaltos. Seis outros elementos do grupo foram condenados a penas entre quatro a nove anos de prisão e cinco dos 13 arguidos acabaram por ser absolvidos de todos os crimes. A defesa já anunciou que vai recorrer da sentença.
Apesar da grande maioria dos 184 crimes de que o 'gang' era acusado não ter sido provada, o colectivo de juízes realçou a perigosidade e ameaça que os arguidos condenados representam para a sociedade, sublinhando a violência usada nos assaltos praticados à mão armada no início de 2004 a estabelecimentos comerciais e automobilistas em diferentes localidades do Minho.
Além da sucessão de "roubos agravados", o arguido Paulo Carneiro, conhecido pela alcunha de "Polaco", foi condenado à pena única de 14 anos devido aos crimes de condução sem carta, posse ilegal de arma e resistência e coacção a funcionário.
Do rol de condenados - todos residentes na área do Grande Porto -, apenas um (Ricardo Costa) vai poder sair da cadeia (estava em prisão preventiva), já que foi submetido apenas à pena de 150 dias de multa, à taxa diária de cinco euros.
Por seu lado, Hélder Ribeiro, Bruno Rodrigues e Ruben Oliveira foram condenados a cinco de prisão cada. As penas de prisão estendem-se ainda a Bruno Vieira (nove anos), Francisco Gonçalves (oito anos) e Nuno Correira (quatro anos e seis meses).
Já os arguidos Hugo Trindade, Tiago Neves, Luís da Silva, Márcio Guedes e Pedro Rodrigues foram absolvidos de todos os crimes.
Segundo a acusação, os 13 homens, a maioria presa preventivamente, protagonizaram em apenas um mês uma onda de assaltos que atingiu a zona Norte do país.
O "gang" actuava em grupos de cinco indivíduos, sempre encapuzados e armados com caçadeiras, com as quais foram disparados tiros sobre civis e sobre a GNR e a PSP.
O Ministério Público descreveu que a vaga de assaltos começou a 5 de Abril de 2004, em Famalicão, e terminou com a detenção, pela Polícia Judiciária, de vários elementos do grupo numa rua do Porto, no dia 30 do mesmo mês.
Os elementos do "gang" são oriundos das zonas de Gondomar, Valongo e Santa Maria da Feira. Vários tinham já cadastro policial, estavam desempregados ou tinham profissão "desconhecida".
A acusação salientou que os roubos do bando resultaram em prejuízos superiores a 500 mil euros para os comerciantes lesados e para a GNR, que viu algumas viaturas atingidas a tiro.
Os arguidos eram acusados de crimes de roubo, homicídio tentado, furto qualificado, incêndio, receptação e resistência à autoridade.


