Sócrates: projectos turísticos em Grândola constituem sinal de confiança no país 
16.01.2006 - 21:29 Por Lusa
O primeiro-ministro afirmou hoje que os empreendimentos turísticos do Pinheirinho e da Costa Terra, no concelho de Grândola, constituem um "sinal de confiança na economia e no país". Os projectos, hoje apresentados, representam um investimento global de 677 milhões euros.
"A minha presença destina-se a assinalar a importância e o significado destes dois projectos de enorme importância para a Costa Vicentina e também para o país", afirmou José Sócrates, que presidiu à cerimónia de apresentação pública dos empreendimentos.
"Ninguém investe 670 milhões de euros se não tiver confiança na economia e confiança no país", acrescentou Sócrates, afirmando-se convicto de que os dois empreendimentos constituem "projectos de referência para a indústria turística" e que vão competir ao nível dos mercados mais exigentes em termos ambientais.
Por outro lado, José Sócrates lamentou que a aprovação dos dois projectos tivesse demorado tanto tempo, prometendo para breve um conjunto de medidas para que situações destas não se repitam no futuro.
"Não nos podemos resignar à ideia de que Portugal precisa de 15 anos para avaliar estes projectos", afirmou, assegurando que uma avaliação mais célere não significa que haja menos rigor nas decisões do Governo.
Referindo-se às críticas dos ambientalistas, José Sócrates disse que os dois projectos dão garantias de que não serão cometidos na zona os mesmos erros registados noutras regiões do país nas últimas décadas.
Governo declara “utilidade pública” dos projectos
Na cerimónia de apresentação pública, que contou com as presenças dos ministros da Economia, Manuel Pinho, e do Ambiente, Nunes Correia, foi confirmada a declaração de "utilidade pública" dos dois empreendimentos turísticos, que abrangem algumas áreas de paisagem protegida integradas na Rede Natura 2000.
O ministro do Ambiente justificou a atribuição do estatuto de utilidade pública com a qualidade ambiental dos dois projectos e defendeu que a "política do ambiente serve para que os projectos sejam melhores e não para impedir que se façam".
"O ambiente deve ser um motor, e não um travão, do desenvolvimento do país", afirmou Nunes Correia, dando como exemplo a dinâmica registada no sector das energias renováveis.
Projectos milionários
O empreendimento da Costa Terra - com um investimento total estimado de 510 milhões de euros distribuídos por quatro fases de desenvolvimento ao longo da próxima década - deverá ocupar 124 dos 1350 hectares da herdade com o mesmo nome. O projecto inclui três hotéis, quatro aldeamentos turísticos, 204 moradias, um campo de golfe e um centro comercial.
Igualmente prevista está a construção de Centro de Documentação da Natureza, uma Reserva Ornitológica, um Parque de Flora Mediterrânica, um Borboletário, uma Quinta e Vinha Biológica com produções certificadas para consumo no empreendimento turístico.
Por seu lado, o empreendimento da Herdade do Pinheirinho irá ocupar 120 dos 800 hectares da propriedade, estando prevista a construção de dois hotéis, três aldeamentos com 260 apartamentos e casas em banda, 204 moradia residenciais, um campo de golfe. O projecto está orçado em 167 milhões de euros.
Com os dois empreendimentos, os promotores e a autarquia de Grândola esperam criar cerca de 1700 postos de trabalho directos.
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