Sócrates: “Nunca houve vitórias da esquerda com enfraquecimento do PS”

13.07.2009 - 23:24 Por Sofia Rodrigues
Com o falhanço da união da esquerda como pano de fundo, António Costa quis hoje clarificar a escolha que os lisboetas terão de fazer nas eleições de Outubro: entre “o rigor e a trapalhada, entre a competência e a aparência (...) entre a política ao serviço dos cidadãos e a política espectáculo”. Uma escolha entre “passado e futuro”, como já tinha sublinhado José Sócrates, secretário-geral do PS, defendendo ainda que “nunca houve vitórias da esquerda com qualquer enfraquecimento do PS”.
Com alguns socialistas de peso na assistência, o actual presidente da autarquia apresentou hoje a sua candidatura para mais quatro anos de mandato.
Foi perante um Jardim de São Pedro de Alcântara cheio que, ao final da tarde, António Costa pediu a mobilização de todos os lisboetas para continuar o trabalho dos últimos dois anos, levando na mão apenas um acordo político à esquerda: o ex-bloquista José Sá Fernandes. O slogan é Unir Lisboa e foi esse mesmo apelo que Costa lançou “a todas e todos os que sentem que Lisboa merece tudo”. “Em vez de nos dividirmos em nome de jogos partidários que nada têm a ver com os interesses de Lisboa”, afirmou, porventura esperançado em conseguir mais um aliado à esquerda. Hoje ainda Helena Roseta disse ser “completamente prematuro” falar de um entendimento com Costa, mas admitiu que “tal pode vir a acontecer”.
A divisão da esquerda em Lisboa também não passou ao lado de José Sócrates. “Todos aqueles que se revêem num projecto político de esquerda democrática têm consciência de que nunca houve uma vitória da esquerda com qualquer enfraquecimento do PS”, apontou o secretário-geral dos socialistas, acentuando o apelo ao voto útil. “A história diz-nos que sempre que o PS enfraqueceu, a direita governou”, disse. Definindo as eleições na capital como uma escolha entre António Costa e “o candidato da direita [Santana Lopes]”, Sócrates sublinhou os contrastes: entre uma candidatura de “futuro, de rigor na governação” e a do “regresso ao passado, inteirinho, com os mesmos problemas, impasses e até com as mesmas pessoas que no passado criaram problemas e obstáculos”.
Muitos ministros
Foi esta a tónica dominante do discurso de António Costa, sem nunca nomear o PSD ou o candidato Santana Lopes. “É uma escolha clara entre a responsabilidade e a irresponsabilidade, entre as promessas que se cumprem e as promessas que se fazem, entre o rigor e a trapalhada, entre a competência e a aparência, entre a estabilidade e a instabilidade, entre a realidade e a ficção, entre a sustentabilidade e a precariedade, entre a política ao serviço dos cidadãos e a mera política espectáculo”, disse.
Em jeito de balanço dos dois anos de mandato, Costa assegura ter cumprido o prometido e acentua os benefícios de ter posto as contas em ordem. “Em suma, arrumámos a casa, pusemos a Câmara a funcionar e preparámos o futuro”, frisou o candidato socialista sem, no entanto, reconhecer as fragilidades do seu trabalho.
“Pode não encher o olho, mas é o trabalho de formiguinha que constrói alicerces, as bases sólidas nas quais podemos firmar uma nova ambição”, disse perante uma plateia onde estavam alguns socialistas de peso como Jorge Sampaio ou Vera Jardim, também os actuais ministros da Presidência, Cultura e Saúde e ainda o ex-ministro Luís Campos e Cunha.
Mostraram ainda apoio artistas como Raul Solnado, Camané ou Luís Represas, além do mandatário Carlos do Carmo.

