SMAS instaura processos disciplinares a dois trabalhadores que fizeram greve na Valorsul

20.12.2007 - 20:12 Por Lusa
Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Loures instauraram processos disciplinares a dois trabalhadores que aderiram à greve da Valorsul.
A notícia foi avançada pelo director do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), Manuel Lopes, que não revelou os motivos, já que a nota de culpa ainda não foi entregue.
O sindicalista questionou, no entanto, o processo disciplinar instaurado aos dois trabalhadores, quando nesses dois turnos estiveram presentes 80 trabalhadores."Porque têm de ser especificamente aqueles?", interrogou-se.
Manuel Lopes acusou, ainda, a administração dos SMAS de tentar forçar os trabalhadores a desempenhar meia hora suplementar por dia, como compensação pela não entrada no aterro de Mato da Cruz.
Contactado pela Lusa, o administrador dos SMAS Jorge Baptista fala de "confusão por parte do STAL", afirmando que "os trabalhadores estavam escalonados para trabalhar duas horas extra, não tendo sido pagos porque não as cumpriram".
Quanto aos processos disciplinares instaurados a dois trabalhadores, o administrador revela que estes terão "desobedecido" a "ordens directas e legítimas" do chefe de divisão que os acompanhou ao aterro do Mato da Cruz.
Os trabalhadores terão avançado não haver condições para entrarem no aterro e descarregarem o lixo, ao que, segundo Jorge Baptista, o chefe de divisão e um dos encarregados terão desempenhado a tarefa sozinhos.
Os acontecimentos remontam à madrugada de 19 de Novembro, quando a GNR interveio no aterro do Mato da Cruz com o objectivo, segundo afirmou o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, de "assegurar a livre circulação".
Para o presidente do Sindicato da Indústria Química, Farmacêutica, petróleo e Gás do Centro, Sul e Ilhas (SINQUIFA), Delfim Mendes, no entanto, "os membros do piquete de greve foram empurrados, arrastados e esmurrados", qualificando a intervenção de "ilegal e desproporcionada".
De acordo com Manuel Lopes, "não estavam reunidas as condições" para a entrada dos camiões do lixo no aterro, pelo que os trabalhadores dos SMAS se viram impossibilitados de despejar os resíduos no aterro.
Ainda que houvesse solidariedade para com os grevistas da Valorsul, o sindicalista aponta a falta de segurança e os conflitos entre grevistas e policia como o principal factor para o regresso dos camiões às oficinas municipais.

