Sintra: vendedor de bifanas em greve de fome há dez dias junto à câmara municipal

23.04.2008 - 13:01 Por Lusa
Um homem está em greve de fome há dez dias em frente ao edifício da Câmara de Sintra, reclamando uma licença municipal que permita a venda ambulante de "comes e bebes" entre a meia-noite e as 6h00.
O vendedor, Manuel Ferreira, de 55 anos, explicou que a Câmara de Sintra lhe passou uma licença para vender durante o dia, mas o homem reclama que o negócio é mais rentável à noite. "A câmara passou-me uma licença para vender no Cacém, no meio da mata, mas com horário de dia, das 6h00 às 24h00 e isso é mau para o negócio porque no sitio que é, de dia não passa lá ninguém", disse.
Para exigir uma nova licença, o homem - que afirma estar no negócio "das roulotes e das bifanas há 20 anos" - está, desde há dez dias, em greve de fome, mantendo-se em frente ao edifício da Câmara de Sintra.
"Estou em baixo pois já emagreci muito. Tenho dormido aqui no carro desde que comecei a greve de fome", referiu. Manuel Ferreira acusa a Câmara de Sintra de ser injusta e de dificultar um negócio "que só rende à noite".
"Existem as roulotes de bifanas do Ramalhão, a dez quilómetros da minha, que também têm licenças até à meia-noite mas vendem até às cinco da manhã", critica. "Não me passam a licença para vender depois da meia-noite porque dizem que aquela é uma zona onde há corridas de carros e venda de droga, mas quem for lá pode ver que não se passa nada disso", referiu.
Câmara não vai ceder
O vereador da câmara de Sintra com o pelouro da Divisão de Licenciamento das Actividades Económicas, Domingos Quintas, disse que "a câmara não vai ceder nesta matéria porque as questões de segurança são muito importantes". "O local onde está, no Cacém, é um sítio muito isolado, fora de mão da polícia e esse horário [24h00 às 6h00] cria uma situação de insegurança", disse o vereador.
De acordo com Domingos Quintas, "muita gente quer ter lugares para esse tipo de negócio" e a autarquia de Sintra pretende, dentro de dois meses, lançar uma hasta pública para dois lugares de venda ambulante de "comes e bebes".
Para já, Manuel Ferreira, que pagou 750 euros à REFER pelo aluguer do terreno, pretende seguir com a greve de fome "até ao 25 de Abril" e pondera "partir para tribunal".

