Sintra: Vendedor de bifanas de novo em greve de fome em frente à Assembleia da República

21.05.2008 - 17:23
Não foram suficientes os 11 dias de greve de fome que Manuel Ferreira, de 55 anos, levou a cabo até ao dia 25 de Abril junto à Câmara de Sintra. Depois de ter sido ameaçado pela polícia, o vendedor ambulante de "comes bebes", resolveu agora levar os seus protestos até à Assembleia da República, reclamando uma licença para a sua roulote funcionar durante a noite.
Manuel Ferreira, que está já há dois dias à porta do Parlamento, afirmou que a Câmara de Sintra lhe passou uma licença para vender durante o dia, mas como o "negócio é mais rentável" à noite, o vendedor quer que a roulote de "comes e bebes" possa funcionar entre a meia-noite e as 6h00.
Para exigir uma nova licença municipal, o vendedor ambulante está desde terça-feira em greve de fome em frente à Assembleia da República e promete que vai levar a "luta" da sua vida "até às última consequências". "Só vou sair daqui quando a situação estiver resolvida", afirmou, referindo que já perdeu cerca de seis mil euros desde que fechou a roulote no início de Março.
Manuel Ferreira salientou que não compensa estar a trabalhar durante o dia, pois no sítio onde está a roulote, no meio da mata próximo do Cacém, "não passa ninguém" e os clientes, que até "iam de Lisboa para comer os seus hambúrgueres", costumam frequentar o local durante a noite.
"Eu não quero qualquer subsídio. Só quero que me deixem trabalhar dentro da legalidade", disse o vendedor, que espera ser recebido pelos deputados ou presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, nos próximos dias.
Contactado em Abril, o vereador da Câmara de Sintra com o pelouro da Divisão de Licenciamento das Actividades Económicas, Domingos Quintas, disse que "a câmara não vai ceder nesta matéria porque as questões de segurança são muito importantes". "O local onde está, no Cacém, é um sítio muito isolado, fora de mão da polícia e esse horário [24:00 às 6:00] cria uma situação de insegurança", adiantou o vereador.
Manuel Ferreira deposita agora todas as esperanças no protesto que está a realizar junto à Assembleia da República, porque - disse - "eles podem fazer alguma coisa, quanto mais não seja alterar a lei da venda ambulante".

