O INEM esgotou as suas capacidades em 21 horas de sismo fictício e com cerca de cem mortos, tendo sido necessário recorrer às Forças Armadas e ao apoio europeu, situação que em cenário real só aconteceria com mais vítimas. O "abalo" ocorreu ontema às 15h50 e, até ao momento, já provocou 106 mortos, mais de 300 feridos, 30 desaparecidos e 488 desalojados nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal.
Em conferência de imprensa, o comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil, Gil Martins, disse que o INEM esgotou todos os meios no terreno e as autoridades de saúde tiveram que solicitar apoio às Forças Armadas para o transporte de doentes e meios hospitalares, como equipas médicas e camas. A ajuda europeia também está a ser testada, sendo necessário transferir 40 doentes queimados. Para Espanha vão ser transportados 20 e os restantes para a França.
Gil Martins explicou que num cenário real o INEM "só esgotaria as suas capacidades com um número mais elevado de vítimas", uma vez que os meios no simulacro são mais reduzidos e o Instituto Nacional de Emergência Médica continua a fazer o seu trabalho diário. O responsável sublinhou também que em cenários reais as capacidades de um país esgotam-se e é necessário reforçar a capacidade de resposta através da cooperação internacional, o que tem vindo a acontecer nos últimos anos.
Dificuldades no sistema de comunicação foram o principal problema, tendo sido necessário "agilizar alguns procedimentos de informação a nível distrital, nacional e municipal", afirmou, adiantando que hoje a gestão de informação "está a correr bem melhor". O responsável frisou que o exercício serve para "treinar e apreender" e que as falhas fazem parte da aprendizagem, acrescentando que é com estas lições que se vai corrigir o Plano Especial de Emergência de Risco Sísmico para a Área Metropolitana de Lisboa, que está a ser testado no simulacro antes de ser aprovado pelo Governo.
Alguns imprevistos
Gil Martins salientou igualmente que o exercício, denominado "Prociv IV/2008", tem como finalidades "testar fortemente o sistema de comando e controlo" e "a articulação permanente entre as várias entidades" no terreno, que tem decorrido "sem problemas". Ao longo do dia de hoje, realizaram-se cenários em Lisboa, no Centro Comercial Colombo e na zona oriental ribeirinha, em Vila Franca de Xira, Seixal, Póvoa de Santa Iria e Benavente. Ao longo da tarde decorrem exercícios em Alfama, Lisboa, no centro histórico de Almada e Porto Alto.
Também hoje à tarde uma equipa constituída por técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), do Instituto de Meteorologia e Protecção Civil vão de helicóptero fazer uma avaliação estrutural em Benavente. Com dois dias de exercício, houve já alguns imprevistos, como um figurante no Seixal e um bombeiro em Porto Brandão que ficaram ligeiramente feridos, o helicóptero Kamov fez ontem o salvamento das vítimas num local que não estava previsto e o treino no Centro Comercial Colombo começou atrasado. Baseado no sismo histórico de 1909 em Benavente, o "terramoto" tem uma magnitude de 6,6/6,7.
Segundo a Autoridade Nacional de Protecção Civil, foram criados 16 cenários e todas as ocorrências que se verificarem no âmbito do exercício "são fictícias". Edifícios em colapso e soterrados, deslizamento de terras, vias de acesso bloqueadas e incêndios urbanos e florestais são algumas das consequências do sismo fictício que termina domingo.
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