As organizações ambientalistas Quercus e Liga para a Protecção da Natureza (LPN) defenderam hoje que o Governo deve compensar os pescadores de Sesimbra, mas não pode ceder às pressões para reduzir as limitações à pesca no Parque Marinho da Arrábida, definidas no Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA).
Na sequência da contestação dos pescadores de Sesimbra, apoiados pela autarquia, as duas associações sustentam em comunicado que o Governo deve encontrar soluções alternativas noutros pesqueiros e atribuir compensações ao nível da Segurança Social aos pescadores.
Denunciando o "conjunto de pressões" para "inviabilizar o ordenamento adequado do Parque Marinho Luís Saldanha no Parque Natural da Arrábida", a LPN e a Quercus consideram que se houver uma "redução do nível de protecção previsto para área em causa", "Portugal irá contra tudo o que são os acordos internacionais que o país assinou e é mesmo totalmente incongruente com a Estratégia para os Oceanos encomendada por este Governo".
O vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, salienta que o Parque Marinho Luís Saldanha, na Arrábida, contém "valores de biodiversidade inigualáveis a nível europeu, e várias espécies protegidas por convenções internacionais", que fazem dele "uma das maiores e mais importantes maternidades de recursos marinhos em toda a Europa".
Pescadores de Sesimbra prosseguem contestação
Os pescadores de Sesimbra prosseguem com um conjunto de iniciativas que visam pressionar o Governo no sentido de uma diminuição das restrições impostas à actividade piscatória no parque marinho. Depois de uma vigília, ontem à noite, em Sesimbra, em que participaram cerca de 300 pessoas, está prevista para amanhã, pelas 10h30, uma manifestação marítima idêntica à que se realizou no domingo, com um desfile de dezenas de embarcações na baía de Sesimbra.
João Lopes, porta-voz na União das Associações do Porto de Pesca de Sesimbra, indica que a iniciativa deverá contar com a presença de pescadores de Setúbal e dos presidentes das câmaras de Sesimbra, Palmela e Setúbal.
De acordo com o representante da comunidade piscatória de Sesimbra, os pescadores estão também a analisar a possibilidade de requisitarem uma providência cautelar para impedir a entrada em vigor do novo Plano de Ordenamento da Arrábida.
Os representantes dos pescadores deverão ser recebidos na próxima terça-feira pelo secretário de Estado do Ambiente, na sequência dos contactos que este responsável governativo deverá manter, entretanto, com o homólogo das pescas, Luís Vieira.


