Seis mil casas estão em risco de ruir no Porto, alerta Sindicato da Construção

10.04.2009 - 12:15 Por Lusa
O presidente do Sindicato da Construção Civil do Norte, Albano Ribeiro, alertou hoje para a existência de cerca seis mil casas em risco de ruir na cidade do Porto e responsabilizou Rui Rio por eventuais acidentes.
"Há seis mil casas que precisam de requalificação na cidade e o presidente da câmara é o responsável se alguma ruir", afirmou o sindicalista, numa conferência de imprensa realizada frente aos Paços do Concelho.
Albano Ribeiro disse que a cidade do Porto "tem mais edifícios degradados do que Lisboa", salientando que a aposta da reabilitação destes prédios pode ser uma solução para combater o desemprego no sector da construção civil. "A situação é preocupante. Temos 39 mil desempregados no sector e mais 20 mil podem ficar sem emprego a curto prazo", alertou.
Nas contas do sindicalista, se forem necessários cinco trabalhadores para recuperar cada uma das seis mil casas em risco, isso significa que "podem ser criados 30 mil postos de trabalho, ainda que de uma forma faseada".
Albano Ribeiro defendeu também a criação de uma linha de crédito especial para apoiar os proprietários que pretendam reabilitar os edifícios em risco, mas alertou que, depois das obras, "as casas devem ser alugadas ou vendidas sem especulação".
"A situação é grave. Deve-se investir primeiro na requalificação das casas em risco de ruir e só depois em obras como o TGV", defendeu.
O presidente do Sindicato da Construção Civil do Norte acusou ainda o presidente da Câmara do Porto de "prepotência" por ter ordenado a retirada de cinco dezenas de faixas de pano colocadas na cidade para alertar para a necessidade de recuperar os edifícios em risco de ruir. "Colocámos estes panos em toda a região Norte, mas só o presidente da Câmara do Porto os mandou retirar, mais nenhum o fez. Isto prova que ele não respeita uma coisa pela qual é responsável", frisou.
Para esta conferência de imprensa, o sindicato convidou o presidente da Câmara do Porto e os candidatos às eleições autárquicas, mas apenas apareceu Teixeira Lopes, do Bloco de Esquerda. "A situação é preocupante", admitiu Teixeira Lopes, salientando que o Porto "é uma cidade onde há cada vez mais gente sem casa e mais casas sem gente".
"Muitas pessoas poderiam ter casa se houvesse outra política de recuperação do edificado", afirmou, defendendo que a Câmara do Porto "deve expropriar os edifícios em risco cujos proprietários não fazem obras, à espera que eles caiam para depois construir no terreno".

