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Novo modelo de gestão foi apresentado ontem pelo ministro do Ambiente

Salinas do Samouco: novo presidente da Fundação anuncia retoma da produção de sal

15.07.2009 - 12:21 Por Lusa

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Está prevista a criação de um centro de interpretação ambiental Está prevista a criação de um centro de interpretação ambiental (Daniel Rocha)
As salinas do Samouco têm um novo modelo de gestão, apresentado ontem em Alcochete pelo ministro do Ambiente. Firmino Sá, o novo presidente da Fundação, anunciou a retoma da produção de sal e a aposta na organização de visitas e na investigação.

"Sem salgado não há aves, sem aves não há visitação e é por aí que começamos os trabalhos de recuperação", disse Firmino Sá, comentando que "o salgado é a parte fundamental do complexo".

A aposta vai também para a organização de visitas para escolas, para pessoas interessadas, especialistas, para a criação de condições para quem queira fazer investigação, um centro de interpretação ambiental e interacção com a Câmara de Alcochete em diversas iniciativas.

Durante a apresentação do novo modelo de gestão da Fundação para a Protecção de Gestão Ambiental das Salinas do Samouco, publicado em Diário da República a 10 de Fevereiro deste ano, o ministro sublinhou a "situação precária" em que estava a Fundação. A estrutura não tinha “verbas para manter o seu regular funcionamento e suportar as despesas correntes, incluindo o pagamento do salário dos trabalhadores”, lembrou.

O novo modelo foi desenvolvido em articulação com o Ministério das Obras Públicas, com a Lusoponte e a Câmara Municipal de Alcochete. "O decreto-lei aprovado em Fevereiro não só melhorou e tornou sustentável a estrutura organizacional e de gestão da renovada Fundação das Salinas do Samouco como também clarificou o papel desempenhado por cada um dos instituidores e as respectivas responsabilidades em termos de financiamento", referiu Nunes Correia.

O governante destacou a entrada da Câmara Municipal de Alcochete como instituidor da Fundação e o financiamento, em tranches, feito pela empresa Lusoponte, em articulação com o Estado, através das Estradas de Portugal.

Firmino Sá destacou a importância da alteração do modelo de financiamento, que é "muito mais estável e de média e longa duração". "Hoje temos um modelo financeiro, não temos muito dinheiro, mas temos o dinheiro que propusemos ao Estado que seria o suficiente para manter a Fundação em funcionamento e vamo-nos preocupar em criar com esse dinheiro algum valor para que a Fundação possa fazer mais do que previmos inicialmente", declarou.

Em declarações durante uma visita às salinas, o ministro salientou a importância da entrada da Câmara de Alcochete na administração da Fundação. "Isso para nós é muito importante, é um património muito importante do município de Alcochete, com uma fortíssima vocação virada para a visitação e a presença da Câmara Municipal de Alcochete é uma garantia de bom relacionamento com as populações locais, de boa integração no espaço social do município", afirmou.

O novo modelo contempla igualmente a criação de um conselho consultivo aberto, que "irá possibilitar a participação da sociedade civil na Fundação para a Protecção de Gestão Ambiental das Salinas do Samouco".

"A concretização das alterações introduzidas permitirá retomar o normal funcionamento do projecto de conservação do complexo das Salinas do Samouco, componente essencial na gestão da Zona de Protecção Especial do estuário do Tejo", sublinhou Nunes Correia, acrescentando que, em Março, a Comissão Europeia arquivou a queixa contra o Estado português relativa ao compromisso de assegurar a gestão das Salina do Samouco.

Nunes Correia disse igualmente que "a partir de agora está também perfeitamente definido, num horizonte temporal até 2030, exactamente quais são os compromissos financeiros, que são assegurados pela Lusoponte, que depois tem um acordo com as Estradas de Portugal que colabora na assunção desses compromissos".

"É natural que seja assim porque isto é uma contrapartida para a construção da Ponte Vasco da Gama e tem de ser visto como um encargo associado a essa importante obra pública. A Lusoponte tem um calendário financeiro e isso assegura a esta Fundação um financiamento continuado", referiu.

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