Saída de enfermeiros espanhóis do Hospital de Elvas obriga a horas extraordinárias

27.08.2008 - 19:36 Por Lusa
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou hoje que a saída de enfermeiros espanhóis do Hospital de Elvas (Portalegre) está a obrigar a horas extraordinárias dos restantes colegas, mas administração da unidade garante que os serviços funcionam normalmente.
"O Hospital de Santa Luzia, de Elvas, é a principal unidade de saúde no Alentejo que está a ser afectada com o abandono dos enfermeiros espanhóis. Neste momento, o país vizinho oferece-lhes outras condições de trabalho", revelou à agência Lusa o responsável do SEP no Alentejo, Edgar Santos.
De acordo com o sindicalista, o número de enfermeiros espanhóis que já saíram daquela unidade hospitalar "ainda não foi apurado" porque a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), entidade que tutela o hospital, "não disponibilizou os dados".
Contudo, Edgar Santos garantiu que, "neste momento, os enfermeiros portugueses que trabalham em Elvas estão a fazer várias horas extraordinárias, devido à carência de enfermeiros na unidade".
Contactada pela Lusa, a ULSNA revelou que saíram do Hospital de Elvas "três enfermeiros espanhóis", mas apenas com "licenças de curta duração", negando que a situação esteja a afectar os serviços.
"Os serviços funcionam normalmente", limitou-se a acrescentar a mesma fonte.
Um estudo da Ordem dos Enfermeiros (OE), recentemente divulgado, mostra que trabalham em Portugal 2135 enfermeiros estrangeiros, mais de 60 por cento dos quais espanhóis.
O pico máximo de estrangeiros a trabalhar em enfermagem foi atingido em 2004 (com 2402 profissionais), mas, desde então, verifica-se uma tendência para a diminuição.
O responsável do SEP no Alentejo explicou que esta situação não está a afectar as unidades de saúde de Évora e Beja porque, nestas regiões, "o número de enfermeiros espanhóis é muito residual".
No entanto, o sindicalista alertou para outras situações que considera também "preocupantes" e que, disse, ocorrem nos hospitais daqueles dois distritos.
"Em Évora e Beja, há uma certa carência de enfermeiros porque existe um estrangulamento por parte do Governo na admissão de novos profissionais" afirmou.

