O presidente da Câmara Municipal do Porto garante que não vai recuar na decisão de demolir hoje as barracas do bairro do Bacelo. A associação Plataforma 65 tentou impedir nos tribunais o avanço da demolição, mas Rui Rio considera que "a prática das providências cautelares em Portugal é uma prática desportiva neste momento fantástica".
"Há muitos anos que aquelas famílias estão ali numa situação degradante para eles e para o meio circundante. A oposição tantas vezes me criticou por eu não fazer nada das pessoas que ali vivem à volta e, portanto, nós agora accionámos um plano no sentido de resolver aquela situação que, efectivamente, eu reconheço, já devia ter sido resolvida há muitos anos, para aí há dez anos. Portanto, é isso que nós vamos fazer", disse Rui Rio, em declarações à rádio TSF.
"As pessoas terão que sair. As que não tiverem para onde ir, alguns deles são nómadas, tanto quanto julgo saber, e, portanto, podem ir para outro sítio. Aqueles que não o forem, irão ser alojados em pensões. Desde logo ficam melhor. É melhor estar numa pensão do que estar na situação em que as pessoas estão neste momento. E num prazo máximo de 60 dias, aqueles que tiverem direito a isso, e serão seguramente a maioria, terão, naturalmente, uma habitação municipal", declarou Rui Rio.
A Plataforma 65 — uma associação que defende o direito constitucional a uma habitação, consagrado no artigo 65 — entregou uma providência cautelar para impedir que as barracas sejam demolidas. A iniciativa foi desvalorizada por Rui Rio, que considera que este instrumento jurídico se transformou "num desporto nacional e com cada vez mais adeptos".
"O principal desporto em Portugal é o futebol. Muita gente não sabe, mas o segundo é a columbofilia. Muita gente julgo que não sabe isso — é o segundo desporto com mais praticantes. Mas eu julgo que a prática das providências cautelares vai passar a própria columbofilia e, qualquer dia, passa o próprio futebol. A prática das providências cautelares em Portugal é uma prática desportiva neste momento fantástica. Metam uma providência cautelar no sentido de pedir que as pessoas continuam a viver nos moldes em que estão a viver. Deve ser uma coisa moderna e de esquerda, se calhar". Rui Rio garante que, com ou sem providência cautelar, as demolições avançam hoje.


