Rui Rio diz que credores do país querem “fazer um chorudo negócio”

09.01.2012 - 21:13 Por Aníbal Rodrigues
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, avisou nesta segunda-feira que, se o país não souber somar ao equilíbrio das contas do Estado a competitividade e o emprego, “irá afundar-se socialmente”.
“E a ser assim, os próprios credores, que à nossa custa pretendem fazer um chorudo negócio com as exageradas taxas de juro que nos cobram, poderão ser, também eles, vítimas da sua própria ganância”, afirmou na cerimónia comemorativa dos 10 anos da sua primeira tomada de posse como presidente da Câmara do Porto.
Para além de uma visão crítica sobre “os juros usurários” que o país se viu obrigado a pagar, Rui Rio também lamentou o facto de muitos portugueses terem de voltar a emigrar, via que tem sido apontada como solução para o desemprego pelo actual primeiro-ministro, e pelo ministro-adjunto Miguel Relvas. “A falta de emprego e o regresso da emigração como solução imediata para uma vida melhor são factores profundamente desagradáveis que perturbam a nossa tranquilidade e assombram a nossa felicidade.”
Mas Rui Rio também não esqueceu alguns dos factores que conduziram o país às actuais dificuldades, sugerindo a alteração das parcerias público privadas (PPP) patrocinadas pelo Estado. “Aqui no Porto, e pelo menos até ao fim de 2013 [quando termina o seu mandato], não cometeremos, de certeza, os graves erros que o país cometeu, com parcerias público-privadas desastrosas que arruinaram as finanças públicas e que, em bom rigor, deveriam ser revistas quanto antes”, disse Rui Rio, que distinguiu a diferença das PPP que promoveu na autarquia: “Todas as parcerias que a Câmara do Porto faz com o sector privado só podem resultar em receitas futuras e nunca em cargos adicionais para a autarquia.”
As recentes notícias sobre a intervenção da maçonaria na esfera do Estado também não ficaram de fora no discurso de Rui Rio, que criticou a “política perversa que se esconde em organizações secretas”. Como exemplos de decisões que contribuíram para os problemas do país, Rui Rio apresentou o campeonato de futebol Euro 2004, que custou à autarquia “o estrondoso montante de 77 milhões de euros” e uma sentença do Tribunal da Relação do Porto sobre um dos lotes do Parque da Cidade que custou “30 milhões, por terra onde apenas se pode semear erva”.
Já o orador convidado por Rui Rio, Carlos Moreira da Silva, presidente da COTEC Portugal, criticou no seu discurso a ausência de “aparelhagem fiscal” para fixação das empresas portuguesas de sucesso, defendendo que o país, no seio da União Europeia, “é um medíocre destino de negócios e capitais”.

