Rui Rio admite recuperar Mercado do Bolhão com dinheiros públicos

23.09.2008 - 17:23 Por Aníbal Rodrigues
“Nós queremos fazer uma corrida de aviões sobre o Douro. Se houver privados, fazemos, se não houver, não se faz. Nós queremos remodelar o Bolhão. Se houver privados, fazemos, se não houver, fazemos também”, disse Rui Rio, presidente da câmara municipal do Porto, durante a reunião do executivo camarário que decorreu hoje. Mas a grande pergunta do dia – afinal qual é a nova solução para o Mercado do Bolhão? – ficou por responder.
O executivo da Câmara do Porto aprovou hoje a anulação da remodelação do Mercado do Bolhão por parte da empresa TramCroNe (TCN) e, doravante, neste caso concreto, o presidente da autarquia, Rui Rio, admite recorrer a financiamento público. Os serviços camarários estão a trabalhar a todo o vapor para que a nova solução possa ser conhecida até final deste mês, mas o presidente da câmara antevê a possibilidade de atraso ao avisar que não será apresentado algo “atabalhoado” ou “incoerente” apenas porque se pretende conseguir uma alternativa célere. No decorrer da reunião, o vereador do PS, Francisco Assis, quis saber se a Câmara do Porto vai excluir os privados da futura solução, pergunta a que Rui Rio e o vereador do Urbanismo, Lino Ferreira, responderam em uníssono: “Não sabemos, estamos a estudar.”
A anulação do contrato com a TCN por parte da Câmara do Porto abre caminho a uma batalha jurídica com as duas partes a reclamarem avultadas indemnizações. O vereador da CDU, Rui Sá, avisou inclusive que esta luta nos tribunais se irá prolongar para além do actual mandato autárquico e fez questão de se auto-excluir de possíveis ónus futuros para o município, visto que esteve sempre contra o contrato de concessão à TCN. No entanto, o vereador Lino Ferreira mostrou confiança quanto ao desfecho da querela que se avizinha. “A nossa segurança relativamente ao processo judicial é muito grande”, sublinhou.

