Rui Rio: acusação por desrespeito do embargo ao túnel de Ceuta "é absurda"

21.02.2006 - 13:36 Por Lusa
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, considerou hoje que a possibilidade de ser acusado por desrespeito do embargo à obra do túnel de Ceuta "é um bocado absurda".
"Estou constituído arguido e respondi nessa condição. O dossier tem a ver com o túnel de Ceuta e o crime de que potencialmente poderei ser acusado pelo Ministério Público é o de ter desrespeitado o embargo decretado pelo IPPAR [Instituto Português do Património Arquitectónico] e de ter lesado o Museu Soares dos Reis", afirmou.
"Parece-me um bocado destituído de sentido, na exacta medida em que se o buraco do túnel de Ceuta está lá é justamente porque o embargo está respeitado, senão tínhamos feito a obra", disse Rui Rio à saída do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto, onde foi ouvido entre as 11h00 e as 12h10.
"Acho isto um bocado absurdo, mas é o que é, e acho que não devo dizer mais nada, porque o segredo de justiça deve ser respeitado", acrescentou.
"Já cá vim muitas vezes [ao DIAP]. Podem trazer-me cá as vezes que entenderem, que eu não deixarei de defender aquilo em que acredito", afirmou. "Não é por me trazerem aqui que eu recuo ou deixo de defender aquilo em que acredito", disse ainda.
Questionado pelos jornalistas sobre se a sua liderança na Câmara poderia ficar fragilizada, Rui Rio afirmou que este "não é o momento para tecer comentários de carácter político e apreciações".
O responsável pela empresa de Gestão e Obras Públicas (GOP) da Câmara do Porto,Vitorino Ferreira, continua a ser ouvido nas instalações do DIAP.
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, foi hoje constituído arguido pelo DIAP do Porto no âmbito do processo sobre as obras do túnel de Ceuta.
A aprovação do projecto do túnel de Ceuta encerrou uma polémica que começou no início de 2005 com a reprovação do IPPAR da obra que a empresa municipal GOP do Porto tinha em execução no terreno, sem a necessária aprovação prévia do instituto.
O túnel de Ceuta foi inaugurado no dia 29 de Julho de 2005, por Rui Rio, mas apenas com uma saída (junto ao Jardim do Carregal), porque a outra (na Rua D. Manuel II) tinha sido embargada pelo Ministério da Cultura.

