A ministra da Cultura está disposta a mediar o confilito entre a Câmara do Porto e os cidadãos e artistas que se opõem à privatização da gestão do teatro Rivoli e avisa que o interesse público tem de ser salvaguardado.
Um grupo de entre 30 e 40 pessoas mantêm-se no interior do teatro portuense desde ontem à noite, exigindo falar com a autarquia.
Em declarações à rádio TSF, a ministra da Cultura mostrou-se disponível para mediar o conflito entre as partes e deixou um aviso: "O que é fundamental, que seja uma gestão pública ou uma gestão privada, é haver garantias de que seja salvaguardado o serviço público" a prestar pelo Rivoli.
A ministra recordou que o teatro "foi feito com dinheiros públicos" e que por isso mesmo terá de ser assegurado que presta serviço público e que respeita o interesse público, independentemente do modelo de gestão.
Também contactado pela TSF, o vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto confirmou que a autarquia está a acompanhar o protesto no interior do Rivoli, mas não se pronunciou sobre as exigências dos manifestantes.
O protesto, apelidado de "ocupação simbólica", iniciou-se depois da exibição da peça "Curto-Circuito", pela companhia Teatro Plástico, e envolve espectadores e artistas.
A autora da peça, Regina Guimarães, que também se juntou ao protesto, explicou à Lusa que o objectivo, além de protestar contra a intenção da Câmara liderada por Rui Rio (PSD), é também evitar que o cenário se repita em outras zonas de Portugal.
"Se não fizermos isto, outras autarquias acabarão por fazer o mesmo com equipamentos similares", disse.
Entre os espectadores circulava um documento com críticas ao presidente da Câmara, por defender "uma ideia de um teatro regido por critérios de rentabilidade", atitude que os autores do manifesto consideram "assaz curiosa para quem esbanja dinheiros públicos em corridas de automóveis". O texto refere-se à reedição, no ano passado, do Grande Prémio do Porto, no Circuito da Boavista, um evento que não se realizava desde os anos 1960.
O documento pede garantias de que "o teatro não seja gerido e programado em função da maior ou menor rentabilidade", de que "os núcleos de produção da cidade do Porto, em todos os domínios da criação, tenham acesso e lugar no seu teatro municipal" e de que "a direcção do teatro pugnará pela formação contínua do público.
A Câmara do Porto abriu um concurso para entregar a privados a gestão deste teatro, recentemente recuperado, ao qual se apresentaram cinco candidaturas.


