Contestada transformação da esquadra de João de Deus num posto de atendimento

Reorganização da PSP contestada no Porto

20.11.2009 - 10:53 Por Jorge Marmelo

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Cidadãos temem que diminua o sentimento de segurança conseguido com a actual organização dos meios Cidadãos temem que diminua o sentimento de segurança conseguido com a actual organização dos meios (Fernando Veludo/NFactos)
A reorganização da presença territorial da PSP na cidade do Porto está a provocar algum mal-estar entre a população afectada pelas medidas já anunciadas. Para além do protesto suscitado pela transferência da 18.ª esquadra de Francos para o Viso, anteontem noticiado pelo PÚBLICO, também na zona da Boavista circulou, no Verão passado, um abaixo-assinado reclamando a revogação da decisão de transformar a 17.ª esquadra, da Rua de João de Deus, num simples posto de atendimento.

O documento, que reuniu mais de seiscentas assinaturas e foi já enviado para vários organismos, contesta a racionalidade daquela medida, considerando que só a manutenção da 17.ª esquadra na Rua de João de Deus garante o policiamento de proximidade, bem como "um maior sentimento de segurança e uma maior rapidez de resposta em situações em que é necessária" a intervenção policial naquela zona da cidade. "Em termos práticos, se ocorrer um assalto junto ao Hotel Porto Palácio, a poucos metros de distância, têm que ser chamados ao local agentes das esquadras de Cedofeita ou da Foz, se houver carros disponíveis", explicou ao PÚBLICO Paulo Brito, um dos promotores do abaixo-assinado.

Os subscritores do documento recordam, aliás, que a zona abrangida pela 17.ª esquadra concentra, para além de uma área residencial significativa, um grande conjunto de equipamentos turísticos, culturais, comerciais, universitários e até religiosos. Para breve está ainda anunciada a instalação na Boavista da nova sede da EDP na cidade, o que deverá aumentar substancialmente o afluxo de pessoas àquela zona, que é também um importante interface de transportes públicos.

Recorde-se que já em Março o presidente da Junta de Freguesia de Massarelos, José Carlos Gonçalves, havia questionado a reorganização das forças da PSP na cidade, temendo que o policiamento daquela freguesia, antes assegurado por três esquadras (9.ª, 12.ª e 17.ª), ficasse limitado a apenas uma.

Contactado pelo PÚBLICO, o Comando Metropolitano do Porto da PSP enquadrou a reestruturação em curso num plano destinado a fazer face às más condições existentes nos equipamentos da polícia na cidade. António Veiga, responsável pelas relações públicas, garantiu, porém, que o policiamento da zona abrangida pela esquadra de João de Deus continua a ser assegurado pelo mesmo número de homens e viaturas, embora estes entrem ao serviço noutra esquadra, ficando a estrutura da 17.ª mais aligeirada.

Recorde-se que, ao abrigo de um protocolo estabelecido com a Câmara do Porto, a 16.ª esquadra (Pinheiro Manso) vai ser instalada numa antiga escola básica de Aldoar, enquanto a esquadra da Rua Central de Francos transita para a Torre do Viso. A nova esquadra do Bonfim está já a funcionar desde Janeiro, estando ainda prevista a transferência da esquadra de Cedofeita para novas instalações na futura Cidade Judiciária, que vai nascer na zona do actual Tribunal de Família e Menores. A esquadra da Foz vai também ser beneficiada (funcionará em instalações provisórias durante o período de obras), enquanto a do Lagarteiro será transferida para novas instalações.

O plano de reestruturação, de acordo com o que tem sido noticiado, prevê ainda mudanças na esquadra da Rua do Paraíso, bem como a criação de uma unidade especial de polícia, com 230 homens, no Quartel da Bela Vista, na zona oriental da cidade.

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