Responsáveis da Igreja Católica denunciaram hoje em Fátima a ausência de policiamento no bairro da Quinta da Fonte, em Loures, onde em Julho último ocorreram confrontos com armas de fogo entre as comunidades cigana e africana.
"Após os incidentes houve uma presença policial massiva, houve sossego, calma e as pessoas sentiam-se seguras. Agora, há uma insegurança muito forte", afirmou a presidente do Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos, Fernanda Reis. Ao discursar no 35º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos, a responsável destacou um conjunto recente de ocorrências, sobretudo relacionadas com assaltos e vandalismo, situação que atribuiu à ausência de policiamento.
"Se houvesse ali polícia, podia evitar-se", declarou Fernanda Reis, que analisou, juntamente com Manuela Mendonça, vice-presidente do mesmo secretariado, os acontecimentos da Quinta da Fonte. "Não foi uma questão de racismo", considerou a dirigente, frisando ter-se tratado de um "incidente" com origem em "problemas gravíssimos" relacionados com "insegurança" e decorrentes do "consumo de álcool e droga".
"A população também estava muito insatisfeita, porque se sentia muito abandonada", acrescentou a responsável, cujo secretariado que dirige possui na Quinta da Fonte um centro de actividades de tempos livres. Classificando o tiroteio em Julho como "intimidatório", a responsável admitiu contudo só ter sido possível porque "nestes meios toda a gente está armada".
Por seu turno, Manuela Mendonça disse ser "importante relativizar" o incidente. "Só se soube disto porque alguém filmou. Isto é frequente", comentou Manuela Mendonça, lembrando: "Acontece todos os dias e já não dá na televisão". Fernanda Reis apontou ainda a existência de problemas "inter-bairros". "São grupos de jovens de três bairros, que se constituem como gangues e criaram ódio em relação uns aos outros", alertou a presidente do Secretariado Diocesano de Lisboa da Pastoral dos Ciganos.
Também o director da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, frei Francisco Sales Diniz, reclamou mais policiamento para a Quinta da Fonte. "Existem novas tensões e temo que haja, uma vez mais, um exponencial de violência", confessou à agência Lusa o responsável, que apelou: "É urgente olhar para os bairros sociais, pois alguns são um barril de pólvora".


